Vitória, 18 (AE) - A CPI do Narcotráfico ouvirá esta semana o presidente da Assembléia Legislativa do Espírito Santo, José Carlos Gratz (PFL). É a segunda vez que o deputado irá depor na comissão. Em dezembro, quando esteve no Estado, a CPI indiciou Gratz por corrupção ativa e pediu à cassação do seu mandato - até hoje, porém, a Assembléia sequer apreciou o pedido. A comissão aprovou ainda a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Gratz.
"Chegaram até nós novos dados, inclusive de quebra de sigilo, e que por isso se faz necessário a reconvocação dele", disse o relator Moroni Torgan (PSDB-CE), que não quis adiantar quais seriam os fatos novos que podem incriminar o deputado.
As principais peças contra o presidente da Assembléia, que levaram a CPI a pedir a sua cassação da última vez que esteve no Espírito Santo, são um depoimento em juízo e uma produção antecipada de provas assinada pelo empresário paulista Franklin Plácido Compozana, sócio de Gratz no Bingo do Canto, em Vitória. Compozana está entre os que serão ouvidos pela comissão.
No depoimento, feito na 7ª Vara Criminal, em 22 de junho do ano passado, o empresário acusa o deputado de lhe mandado pagar, com um cheque em nome do próprio Gratz, R$ 1,4 mil ao então titular da Delegacia de Costumes e Diversões, Aristides Ferreira Lima, para a liberação de máquinas de videobingo.
Gratz explicou à CPI, em dezembro, que assinava cheques em branco que eram entregues ao gerente da casa de jogo, Ronaldo Braga, para pagamentos de despesas do estabelecimento. Na produção antecipada de provas, Compozana afirma que há uma "associação" de contraventores que corrompem autoridades no Estado.
O líder do grupo seria o banqueiro de bicho Antônio Carlos Barroso, que controla as bancas de Vila Velha e, segundo o empresário paulista, foi quem lançou Gratz na política.
Procurado pela Agência Estado, o deputado não foi encontrado.

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