Maricá, RJ, 16 (AE) - A promotora de Justiça Rosana Barbosa Cipriano de Souza encaminha amanhã (17) à Procuradoria da República no Rio um dossiê com novos depoimentos e o inquérito policial que apura a participação de oficiais reformados da Força Aérea Brasileira (FAB) em um esquema de tráfico internacional de drogas no aeroporto de Maricá, a 55 Km do Rio.
Hoje, Rosana ouviu o capitão reformado da FAB Norberto Novotny - que teve pedida a quebra do seu sigilo bancário, fiscal e telefônico. Ele é apontado pela CPI do narcotráfico como elo entre traficantes bolivianos e outros que atuariam nas cidades paulistas de Atibaia e Campinas.
Segundo a promotora, o capitão negou as acusações de envolvimento com o tráfico de drogas. Ao depor, o capitão evitou o pedido de sua prisão temporária pelo Ministério Público. Ele não quis dar declarações à imprensa.
Quebra de Sigilo - O deputado Paulo Baltazar (PSD/RJ) informou hoje que já foi pedida a quebra de sigilo bancário, telefônico e fiscal de dois empresários que atuam no setor de aviação em Atibaia - um deles teria uma boate em Campinas - José Gomes e Odarício Ribeiro Neto. Procurados, eles não foram encontrados. "Só não pedimos, ainda, a quebra de sigilo de outros militares porque nos depoimentos não foram citados nomes completos", disse Baltazar.
No depoimento de hoje, o capitão reformado, segundo a promotora, confirmou que trabalhava na Escola de Pilotagem de Maricá e no hangar de Atibaia, mas negou irregularidades na compra e venda de aviões, além das denúncias de tráfico. O delegado de Maricá, Anestor Magalhães, disse hoje que poderá "ter novidades há qualquer momento" sobre as investigações da morte do coronel reformado e ex-diretor da Escola de Pilotagem de Maricá, Paulo Roberto Machado, assassinado em abril. O caso está relacionado ao tráfico de drogas.
A promotora de Justiça disse também que vai conversar amanhã (17), no Rio, com a deputada Laura Carneiro (PFL/RJ) para incluir o programa de proteção a testemunhas na investigação sobre o caso. Ela explicou que o dossiê será entregue ao Ministério Público Federal, em razão das denúncias de tráfico internacional.

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