São Paulo, 14 (AE) - O presidente da CPI do Narcotráfico, deputado Magno Malta (PTB-ES), considerou o encontro dos parlamentares com o governador Mário Covas (PSDB) e as providências prometidas pelo tucano de fortalecer as corregedorias das polícias o principal resultado dos quatro dias de trabalho da comissão em São Paulo. No balanço final feito pelo presidente, a omissão da Receita Federal na fiscalização do tráfico de drogas e armas no Porto de Santos foi criticada. "Não podemos falar que o superintendente tem alguma participação", afirmou, referindo-se a Flávio Del Comuni. "Mas agora ele precisa tomar providências enérgicas para mostrar que não é conivente."
A CPI, no entanto, não conseguiu cumprir a extensa agenda de 50 depoimentos previstos para os quatro dias de trabalho. Até o fim da tarde de hoje 37 pessoas prestaram informações aos parlamentares e outras 12 ainda aguardavam ser chamadas, sem contar os muitos casos retirados da pauta, que diariamente sofria inúmeras alterações. A vice-presidente da comissão, deputada Elcione Barbalho (PMDB-PA), admitiu que um número tão grande de depoimentos torna os trabalhos "improdutivos" e os parlamentares não conseguem atingir seus objetivos. "Mas tentamos priorizar as questões mais importantes", afirmou.
Hoje os trabalhos começaram com três horas de atraso e os deputados não escondiam o cansaço. O deputado Malta disse que estava tão exausto que teve de tomar guaraná em pó. "Já estou ficando com as mãos geladas", reclamou a deputada Elcione, às 16 horas. Ela estava com fome e foi prontamente liberada para um lanche. Assim que acabou o depoimento, o prefeito de Itaituba, Edilson Botelho, acusado de ser conivente com o tráfico de drogas no Pará pela testemunha da CPI apresentada como Senhor X, outros quatro deputados também foram alimentar-se e a sessão foi suspensa por mais uma hora.
No Fórum João Mendes outros três parlamentares da CPI foram ouvir as explicações do juiz José Isaaq Birer, acusado de vender benefícios de penas para traficantes em São Paulo. Era o depoimento mais aguardado do dia, mas aconteceu a portas fechadas.
Segundo o deputado Celso Russomanno (PPB-SP), Birer admitiu que sua mulher foi sócia da família de João Faria, preso por tráfico em 1992, em uma distribuidora de bebidas. Em função da sociedade, o juiz recebia mesadas mensais de R$ 5 mil. Mas negou
no entanto, ter utilizado de sua influência no Judiciário para redução da pena do traficante.
Na próxima semana, a CPI realizará trabalhos simultâneos em Goiás e no Espírito Santo. O Estado capixaba será um dos pontos altos das incursões da CPI pelo País, em função das ligações do presidente da comissão, Magno Malta, com os suspeitos de estarem ligados ao crime organizado no Estado. Magno, no entanto, disse que não vai participar dos trabalhos no seu Estado para evitar constrangimento aos depoentes e parlamentares da CPI.

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