Curitiba, 1 (AE)- Três policiais civis e um empresário paranaenses tiveram as prisões decretadas pela Justiça por volta de 1h30 da madrugada de hoje, depois de um pedido da CPI do Narcotráfico, que se instalou em Curitiba para investigar a atividade de traficantes no Paraná. A partir das 9h30 de hoje, os trabalhos serão retomados para depoimento das pessoas presas na madrugada. Também foram convocadas outras pessoas, entre elas o delegado-geral da Polícia Civil, João Ricardo Kepes de Noronha
para prestar esclarecimentos.
Depois de ouvir o depoimento de cinco pessoas, entre elas ex-policiais e ex-consumidores de drogas, o presidente da CPI, deputado federal Magno Malta (PTB-ES) leu o mandado de prisão dos policiais civis Reginaldo Moreira, Samir Scandar e Edenir da Silveira, além do empresário Hissan Hussein Dehini. Eles foram citados por quase todos os depoentes como sendo os principais traficantes de Curitiba e ficarão presos por pelo menos 30 dias. Outros policiais civis também foram citados como chefes do tráfico, mas não tinham comparecido ontem.
Durante os depoimentos, foram citados os nomes de 19 investigadores, sete delegados e alguns proprietários de desmanches de carros envolvidos direta ou indiretamente com o tráfico de drogas, extorsão ou roubo de carro. Houve acusações de recebimento de propina ou de acobertamento da corrupção por delegados de polícia, entre eles o ex-delegado-geral da Polícia Civil, Newton Rocha, e o atual, Kepes de Noronha. Os dois foram convocados a depor. "Pode ser decidido o indiciamento ou até uma solicitação de prisão", disse o relator Moroni Torgan (PFL-CE).
"Pensei que ao passar por Campinas teríamos vivido a pior decepção, mas hoje a decepção é maior", disse o deputado Heber Silva (PDT-RJ). "É surpreendente essa coisa esquematizada." De acordo com o ex-policial Gilberto Chagas Ramos, hoje detido, o tráfico envolvendo policiais civis "está ficando forte desde 1990 para cá". Segundo o deputado Magno Malta, o que surpreendeu foi o número de ligações para o 0800, denunciando policiais civis. "Estamos assustados com esse movimento", disse.
A primeira testemunha de ontem, o ex-consumidor de droga e depois traficante, Marcelo Mateus dos Santos, chegou a afirmar que, entre os chefes do tráfico há "briga por pontos na rua". "Eles dominam o tráfico principalmente no centro da cidade", disse Santos. Ex-informante da polícia, ele disse que os policiais acusados fazem a apreensão de drogas, dão um pouco a quem fez a denúncia e vendem o restante.