São Paulo, 26 (AE) - A instalação de uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar irregularidades em órgãos municipais já é tida como improvável na Câmara Municipal. Hoje, os governistas usaram novamente a tática de esvaziar o plenário para não votar o pedido de abertura da comissão proposta por Roberto Tripoli (PSDB). Dos 45 vereadores presentes no início da sessão, apenas 25 responderam a chamada. São necessárias pelo menos 28 presenças para dar início à votação.
Na pauta há duas semanas e colocada seis vezes em votação sem conseguir o mínimo de votos necessários (28) para a aprovação ou rejeição, a nova CPI esbarra em um forte esquema de negociação entre Executivo e a bancada de apoio ao prefeito. Parlamentares governistas estão utilizando seu voto como moeda de troca para a obtenção de cargos ou benefícios. Por isso, a votação fica sempre pendente. A situação só poderá ser invertida se o prefeito Celso Pitta (sem partido) decepcionar os governistas nas negociações.
A última votação da CPI ocorreu ontem, quando a oposição perdeu dois votos de governistas. O placar foi 23 votos a favor e 16 contra ante os 25 votos a favor e 21 contra computados na terça-feira.
Osvaldo Sanches (PPB), substituindo atualmente Domingos Dissei (PPB), que responde como secretário das Administrações Regionais, provou que a barganha com o Palácio das Indústrias está rendendo frutos. Sanches havia votado a favor na terça-feira e mudou de opinião repentinamente.
A informação de fontes da Casa é que, com o voto contrário, ele teria assegurado seu lugar na Câmara e ganho cargos no governo. Sanches nega, mas reclamou diversas vezes em plenário que não tinha "nada" na administração. Ele já controlou a regional de São Miguel. Myryam Athie (PMDB), que também tinha votado a favor da comissão na terça-feira, não compareceu ao plenário ontem alegando compromissos.
A decisão está por conta do PTB, que pleiteia uma secretaria, de preferência a da Habitação. Quatro dos cinco vereadores desse partido abstiveram-se na última votação. Se os quatro vereadores decidirem votar a favor da instalação da comissão, serão 27 votos sim. O presidente da Casa, Armando Mellão (PMDB), reafirmou que votará a favor caso seja necessário um voto para aprovar a CPI.

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