São Paulo, 05 (AE) - A CPI do Narcotráfico vai apurar a ligação de pelo menos 35 policiais, juízes e empresários de São José dos Campos, no Vale do Paraíba, com o tráfico de drogas. Entre eles, o empresário Antonio de Pádua Maia, conhecido como Tony. "Estamos investigando há pelo menos quatro meses", confirmou o sub-relator da CPI, deputado Celso Russomano (PPB-SP).
Depois de receber uma denúncia anônima, o Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) realizou, no dia 23 de março, a apreensão de drogas em um gol, placas GKT 6090, que estava para ser vendido na Tony Veículos, uma das quatro concessionárias de propriedade do empresário. "Não tenho nada a ver com narcotráfico", afirmou Maia. "Estou à disposição da CPI e abro toda a minha vida."
Na concessionária instalada na rua Madre Tereza, 469, foram encontrados dentro de um saco plástico 12 trouxinhas de maconha, 13 pedras de crack, 3 papelotes de cocaína, além de mais 189 gramas de maconha. "Eles querem me incriminar fazendo uma falcatrua dessas", afirmou o empresário. Indagado sobre quem queria prejudicá-lo, Maia não soube responder, mas disse que qualquer pessoa poderia ter colocado a droga dentro do veículo, que se encontrava próximo à entrada da loja. O diretor do Denarc
Marco Antonio Ribeiro de Campos, disse que já está em poder de Russomano uma cópia do inquérito que está apurando o caso.
O deputado disse que decidiu suspender a vinda para São Paulo da testemunha da CPI, que utiliza o codinome de Laércio da Cunha, por motivos de segurança. Ele já acusou pelo menos 15 policiais paulistas civis de participarem de um esquema de extorsão a traficantes e ladrões de carga. Russomano afirmou que a testemunha virá somente na próxima semana, quando a CPI se instalará em São Paulo. A Polícia Federal prendeu hoje em Taubaté um dos traficantes mais procurados do Vale do Paraíba: Celso Donizete de Carvalho.

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