CPI investigará conta de irmão de PC
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quarta-feira, 03 de novembro de 1999
Por Gilse Guedes 
Brasília, 04 (AE) - A CPI do Narcotráfico vai vasculhar a conta bancária de uma das empresas de José Rogério Cavalcante Farias, irmão do deputado Augusto Farias (PPB-AL), tendo como base a informação, dada pelo parlamentar, de que foram depositados três cheques no valor de R$ 300 mil cada, que, em seguida, foram estornados.
Cavalcante Farias é apontado pela comissão como um dos integrantes da quadrilha de roubo de cargas e tráfico de drogas com Augusto Farias, o ex-deputado Hildebrando Pascoal e com o deputado estadual maranhense José Gerardo de Abreu. O empresário é proprietário de uma fazenda, que seria um dos pontos utilizados pela quadrilha.
A fazenda fica localizada em Nova Olinda, município no interior do Maranhão às margens da BR-316, rota do roubo de caminhões e cargas, e situada na mesma região de propriedades de José Gerardo. O deputado maranhense prestou depoimento à CPI e negou envolvimento com os crimes.
Durante a sessão, que foi realizada com um forte esquema de segurança, o presidente da CPI, deputado Magno Malta (PTB-ES), disse que o relator da comissão, deputado Moroni Torgan (PFL-CE)
foi alvo de uma ameaça de morte por meio do número do telefone 0800-619619, usado pela CPI para receber denúncias de casos de narcotráfico no País.
Segundo Moroni Torgan, as terras do empresário foram compradas em partes e somam, atualmente, quase dois mil hectares. Na certidão de registro de imóveis, a propriedade, que teria uma pista para pouso de aviões, segundo informações da Polícia Federal, está no nome da mulher de Rogério Farias, que assina o documento como procurador. A PF já tem informações de que a fazenda sempre foi usada por Augusto Farias, visto diversas vezes na região cuidando dos negócios.
Banco - Em carta encaminhada à comissão, Augusto Farias informa a existência dos depósitos na conta de uma das empresas de seu irmão. Ele não explica a origem dos depósitos, mas diz que está procurando se precaver de uma eventual interpretação equivocada quando for quebrado o sigilo bancário das contas de seu irmão.
Com base nessa informação, o presidente da comissão vai requerer um extrato da conta da empresa. Já foi aprovada a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Augusto Farias e de Cavalcante Farias. O deputado e empresário, irmãos de Paulo César Farias, encontrado morto em 1996 junto com sua namorada Suzana Marcolino, já foram à CPI e negaram a ligação com o grupo de Hildebrando.
Em depoimento, José Gerardo disse que o empresário Joaquim Lauristo, que seria uma espécie de gerente do parlamentar no esquema do narcotráfico, é ligado à família Sarney.
"Ele (Lauristo) trabalhou no governo da governadora Roseana Sarney (Maranhão)", disse o deputado maranhense.
O parlamentar depôs ontem na condição de indiciado, o que lhe garantiu o direito de não prestar juramento. Ele obteve do Supremo Tribunal Federal (STF) uma decisão que impediu que fosse convocado como testemunha, como desejavam os deputados da CPI.
Como testemunha, ele teria de prestar o depoimento sob juramento e seria preso, caso mentisse para os integrantes da comissão. Até às 22h, o depoimento de Gerardo, que foi iniciado às 20h, não havia terminado.


