CPI investiga venda de títulos da dívida pelo Banespa ao J.P. Morgan
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 25 de maio de 1999
Por Cláudia Carneiro 
Brasília, 26 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Sistema Financeiro no Senado está fazendo uma investigação paralela sobre a venda de títulos da dívida externa brasileira pelo Banespa ao Banco J.P.Morgan, no fim de 1998 e início desse ano, enquanto tenta concluir a apuração sobre a operação de socorro do Banco Central (BC) aos Bancos Marka e FonteCindam. O presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), que propôs a criação da CPI, afirmou hoje que poderá pedir a convocação de dirigentes do Banespa para explicar a operação, denunciada pelo deputado Aloízio Mercadante (PT-SP) em depoimento à comissão.
O Banespa entrou no rol de investigações da CPI depois que Mercadante expôs aos senadores a venda de títulos da dívida externa brasileira - os chamados "bradies" - pela instituição abaixo da cotação do dólar, beneficiando o J.P. Morgan e promovendo um prejuízo estimado em R$ 172 milhões, segundo o petista. Desde 1994, esses títulos em poder do Banespa vinham sofrendo uma desvalorização. Em meados de 1997, chegou a 86% do valor de face e, depois da crise da ásia, naquele mesmo ano, o preço caiu ainda mais no mercado, vindo a atingir cerca de 50% do valor de face com a crise da Rússia.
A venda de títulos para o J.P. Morgan ocorreu entre novembro e março, momento em que os títulos atingiram o piso da desvalorização, ainda segundo levantamentos do PT. Depois que Mercadante levantou à CPI as suspeitas de favorecimento à instituição estrangeira na operação do Banespa, o senador José Roberto Arruda (PSDB-DF), então presidente interino da CPI, ouviu explicações da direção do Banespa: a venda dos títulos ocorreu naquele momento, no processo de preparação para a privatização do banco, e teria sido negociada diretamente pelo BC.
"Estamos investigando cuidadosamente essas operações do Banespa e tomaremos as providências necessárias quando tivermos as conclusões", afirmou Barbalho. Ele não descarta a convocação de dirigentes do Banespa à CPI, depois que todos os dados estiverem levantados. "Sou favorável à aprovação de qualquer convocação que não fuja aos fatos e investigações pela CPI", disse Barbalho, que hoje recebeu o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia (PMDB) no gabinete para uma conversa reservada.
O presidente do PMDB disse também aprovar a convocação dos dirigentes dos bancos que receberam recursos do Proer para aborver instituições em dificuldades e também os dirigentes dessas instituições que foram incorporadas. "Não vejo obstáculo para trazer esses bancos à CPI, mas só considero importante os trazer depois de estudar todos os documentos sobre as ações do Proer", disse o peemedebista.
Os bancos citados no requerimento de convocação que poderá ser votado amanhã (27) pela CPI do Sistema Financeiro, em reunião interna, são os seguintes: Pontual, Itaú, Unibanco, HSBC
Rural, Bandeirantes, Bilbao Viscaia, BCN, Martinelli, Nacional, Bamerindus, Mercantil, Banorte, Econômico e Excel. A CPI aguarda resposta ao requerimento de informações do senador Eduardo Suplicy (PT-SP), enviado ao BC. Suplicy pede explicações sobre as consequências do Proer, o custo desse programa para salvar o sistema financeiro, quanto cada instituição beneficiada com recursos retornou aos cofres públicos e por que o sistema financeiro continua frágil.


