Rio, 06 (AE) - Um arsenal supostamente pertencente ao crime organizado, apreendido pela Polícia Civil, liberado pela Justiça e retido na Polícia Federal, será um dos assuntos investigados pela CPI do Narcotráfico em sua passagem, amanhã (07) e na quarta-feira (08), pelo Espírito Santo. A informação foi dada hoje pelos deputados Fernando Ferro (PT-PE) e Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), que estarão em Vitória (ES) com o relator da CPI, Moroni Torgan (PFL-RJ), e Ricardo Noronha (PMDB-PE). A idéia é recolher informações para em 2000, possivelmente, realizar em território capixaba sessões da CPI, como as que ocorreram em Campinas (SP).
"Esse caso é um ao qual deveremos dar uma certa importância", disse Ferro, comentando a apreensão de armamento e munições, ocorrida na semana passada.
Segundo a versão oficial, uma denúncia anônima levou policiais civis do Espírito Santo a apreender, no último dia 30, mais de 100 itens, entre silenciadores, armas e munições, nas oficina do armeiro João Godoy, em Cachoeiro do Itapemirim (ES).

Condenado por homicídio e cumprindo liberdade condicional, Godoy não revelou os nomes de seus "clientes". Os parlamentares pretendem esclarecer possíveis vínculos do acusado com políticos locais e as circunstâncias em que foi solto pelo Judiciário. O material apreendido também foi liberado, mas acabou encaminhado à Polícia Federal.
Entre os itens apreendidos estão dois fuzis, nove pistolas, uma carabina, um mosquete, três garruchas, quatro revólveres, cinco silenciadores e 51 carregadores de armas, além de lunetas e cartuchos.
A busca e apreensão foi feita com autorização do juiz Rui Lemgruber, mas seu substituto, Solimar da Silva, ordenou a libertação de Godoy e a liberação do material apreendido, alegando que os policiais ultrapassaram os limites do mandado judicial que receberam (além da oficina do acusado, invadiram sua casa e a reviraram, apreendendo até passarinhos) e que o armeiro tem registro para trabalhar.
Preparação - Os quatro deputados vão se encontrar com representantes do Ministério Público Estadual, Procuradoria da República e Polícia Federal para recolher mais informações e documentos sobre a atuação de traficantes de drogas no Espírito Santo e sua infiltração no poder público local. Eles querem ouvir os depoimentos do delegado Francisco Badenes, que investigou o suposto envolvimento de autoridades com o crime, e do presidente da Assembléia Legislativa capixaba, José Carlos Gratz (PFL), que Biscaia quer investigar por supostas ligações com o jogo do bicho.
"Já avisei, por ofício, que estarei à disposição dos deputados às 10h de quarta-feira (dia 8), na Assembléia", disse Gratz. "Tenho certidões da Polícia Civil que comprovam que não tenho mais ligações com o bicho há mais de dez anos." O parlamentar disse estar preparado "para todo tipo de palhaçada", afirmou desconhecer o caso do armeiro de Cachoeiro do Itapemirim e atribuiu a inimigos o envolvimento de seu nome na CPI. Já Biscaia afirmou que só comparecerá ao Legislativo capixaba para trabalhar, não para visitas de cortesia. "Se for só para visitar, não vou", avisou.
Outro ponto que poderá ser abordado pelos parlamentares é a série de ameaças de morte feitas ao presidente da seccional capixaba da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), Agesandro da Costa Pereira. Ele tem sido ameaçado, por telefone, na OAB, em seu escritório particular e até em sua casa, desde que publicou artigo em jornais capixabas denunciando a infiltração do poder público pelo crime e organizou o Fórum Permanente Contra a Impunidade e a Violência. "Fale para o seu chefe que ele vai morrer se não ficar quieto", repete uma pessoa que liga para a casa do advogado.

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