Belém, 07 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico começa a investigar amanhã (08) em Belém possível participação de funcionários de bancos na lavagem de dinheiro do narcotráfico. A CPI vai ouvir o fazendeiro Leonardo Dias Mendonça, acusado de ser um dos líderes da conexão Brasil-Colômbia-Suriname, preso há um mês em Goiás com cocaína. O esquema também utilizaria empresas de fachada e compra de gado para legalizar o dinheiro proveniente das drogas.
"Com certeza o Pará estaria dentro deste esquema de lavagem de dinheiro", afirma o deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS). Segundo ele, os traficantes também podem ter comprado imóveis em várias regiões do Estado para lavar dinheiro, além de movimentações bancárias.
A CPI já tem alguns nomes de bancários envolvidos, mas os mantém em sigilo. Dependendo dos depoimentos colhidos em Belém entre amanhã (08) e quinta-feira (09) - período em que a comissão ficará no Estado - poderá sugerir a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico de várias pessoas.
O principal depoimento da CPI no Pará será do fazendeiro Leonardo Mendonça, considerado o elo dos cartéis colombianos no País. Mendonça seria o responsável no Brasil pelo envio de drogas para o exterior, utilizando o Suriname como rota alternativa. Há um ano, a Polícia Federal monitora os movimentos do fazendeiro, que foi preso em Goiás com quase 700 quilos de cocaína, no mês passado. A droga era de procedência colombiana, mas seu destino era a Europa e Estados Unidos.
Pelas investigações feitas pela PF no sul do Pará, Mendonça tinha em torno de 17 empresas de fachada, sendo três delas no ramo de construção civil. As empresas mantinham negócios suspeitos com as prfeituras do interior, principalmente realizando obras fantasmas. Além disso, o fazendeiro possui cerca de 45 mil cabeças de gado. "Na região ele pagava o melhor preço pelo gado, mesmo sabendo que não teria lucros", afirma um delegado da PF que participou da operação "Tornado", que desarticulou momentaneamente o esquema Colômbia-Suriname.
Outra linha de investigação que a CPI deverá realizar em Belém será o esquema de lavagem de dinheiro citado pelo colombiano Joaquin Hernando Castilla Gimenez. Segundo ele, os cartéis colombianos estariam dispostos a investir no ramo de imóveis no Brasil, como forma de legalizar o dinheiro das drogas.
As declarações de Gimenez, feitas na Polícia Federal em Fortaleza, e depois ratificadas na CPI, estão sendo tratadas de forma cuidadosa pelos deputados. Delegados federais que estiveram com o colombiano colocam em dúvida algumas de suas denúncias.
Além de Mendonça, a CPI vai ouvir outros integrantes da conexão Brasil-Colômbia-Suriname, presos em Goiás com o fazendeiro. Alguns deles já tiveram passagem pela polícia também por tráfico internacional de drogas. A conexão faria parte do esquema montado pelo ex-ditador do Suriname, Desi Bouterse, procurado em todo o mundo por ser acusado de envolvimento com o narcotráfico. A quadrilha atuava, além do Pará, em Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro, Acre e Roraima e tinha ramificações não só no Suriname, mas também na Guiana Francesa.

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