Curitiba, 29 (AE) - A Comissão Parlamento de Inquérito (CPI) do Narcotráfico, instalada hoje em Curitiba, iniciou os trabalhos investigando principalmente o esquema de narcotráfico envolvendo policiais paranaenses.
Nos depoimentos de hoje à noite, duas testemunhas acusaram dezenas de policiais e delegados de terem participação na distribuição ou nos lucros da droga no Estado.
O diretor geral da Polícia Civil, João Ricardo Kepes de Noronha, também foi acusado de conhecer o esquema de corrupção policial, enquanto comandava a delegacia, e acobertava.
Por meio de sua assessoria, Noronha disse que somente se pronunciará depois que as investigações terminarem. O relator da CPI, Moroni Torgan (PFL-CE), disse que a comissão "não deixará de investigar nada".
As acusações de que o diretor da Polícia Civil sabia da corrupção envolvendo drogas, foram feitas pelo consumidor de drogas e informante da polícia, Marcelo Mateus dos Santos, e pelo ex-policial Humberto Aparecido Terencio.
"O Paraná é o Estado em que recebemos mais denúncias envolvendo pessoas da polícia", disse Torgan. "Nós temos que saber quem dava cobertura e fazia o contato direto entre traficantes e consumidor."
Para o consumidor de drogas Marcelo Santos, "com certeza, quem domina o tráfico no Paraná é a polícia, e quem não se coloca dentro da organização deles, eles põem na cadeia."
A CPI ainda pretendia ouvir entre a noite e a madrugada outras testemunhas e possivelmente suspeitos. Entre eles, estava na Assembléia Legislativa o empresário Hissan Hussein de Hani, citado pelas testemunhas como um dos chefes do narcotrpáfico no Estado.
O empresário mora em Araucária, na região metropolitana de Curitiba, onde é dono de um hotel e postos de Curitiba. Além dele, foram citados como pessoas fortes no tráfico estadual, os policiais civis Mauro Canuto e Samir Scandar. Eles não foram encontrados. Torgan disse que, ainda durante a sessão de hoje, poderiam ocorrer três prisões.