Brasília, 14 (AE) - Senadores que integram a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário vão viajar para Cuiabá na próxima semana a fim de iniciar as investigações das denúncias apresentadas pelo juiz Leopoldino Marques do Amaral, que foi assassinado, contra desembargadores do Tribunal de Justiça (TJ) do Mato Grosso. Em reunião realizada hoje, os senadores que compõem a CPI criaram uma subcomissão que vai para Cuiabá e decidiram prorrogar até 30 de novembro os trabalhos da CPI por causa da repercussão do assassinato do juiz.
Essa é a segunda vez que a comissão amplia o prazo final dos trabalhos, inicialmente marcado para 26 de agosto e, depois, prorrogado para 5 de outubro. O corpo do magistrado foi achado no Paraguai, na semana passada, queimado e com dois tiros na cabeça. Os senadores também vão decidir, conforme o andamento das apurações, a necessidade de quebrar-se os sigilos fiscal, bancário e telefônico dos acusados pelo magistrado.
Segundo o presidente da CPI do Judiciário, Ramez Tebet (PMDB-MS), a subcomissão vai montar um roteiro de investigação a partir da viagem que será feita na próxima semana. Integram a subcomissão os senadores Paulo Souto (PFL-BA), relator da CPI, José Eduardo Dutra (PT-SE), Maguito Vilela (PMDB-GO) e Carlos Wilson (PSDB-PE).
De acordo com Tebet, até 30 de outubro, Souto irá apresentar relatórios parciais sobre os dez casos investigados pela CPI, dentre os quais o que se refere ao desvio de recursos públicos na construção do Fórum trabalhista de São Paulo. De acordo com as denúncias encaminhadas pelo juiz à CPI, ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), os desembargadores são acusados de vender sentenças e decisões para a transferência de traficantes do Mato Grosso a outros Estados.

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