Brasília, 12 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico está fazendo uma devassa em 37 casas de câmbio no País. Um levantamento feito pela CPI, com a ajuda da Polícia Federal e da Presidência da República, reuniu provas de que algumas delas foram utilizadas para lavar dinheiro do narcotráfico. A maioria já perdeu suas autorizações para funcionar, mas, segundo a CPI, continuam realizando operações fraudulentas. O maior número de empresas envolvidas com lavagem de dinheiro está no Paraná, em São Paulo e no Rio e movimenta em torno US$ 30 bilhões por ano no Brasil, conforme avaliação da comissão.
Na lista enviada à CPI aparecem nomes de empresas de vários Estados, cujos proprietários serão chamados para prestar depoimento. A maioria movimentou grandes somas sem apresentar a respectiva origem, o que fez a CPI suspeitar que seja dinheiro do narcotráfico e do contrabando de armas. A lavagem de dinheiro consiste na "legalização" de dinheiro sem origem, geralmente depositado em contas de empresas e pessoas que não existem ou não sabem que estão sendo usadas no crime, os "laranjas".
São Paulo - Oito empresas de São Paulo estão entre as que mais movimentaram dinheiro sem origem, provavelmente do narcotráfico. A CPI apura a relação destas empresas com a máfia de Campinas. A GT Turismo e Câmbio foi descredenciada em novembro de 1996 pelo Banco Central por falsa informação, falsa identidade nos boletos de câmbio e evasão de divisas. A empresa movimentou US$ 26,4 milhões somente entre abril e julho de 1996. A empresa, que funcionava no Cambuci, pertencia a Roberto Alexandre Ortali Sessa, Renato Zancaner Filho e Hélio Barone.
A Flight Free Agência de Viagens e Turismo, que tinha como sócios Lee Han Sheng, Chuang Huei Yu e Chuang Hai Ding, emitiu boletos de operações de câmbio. Ao serem solicitados a confirmar as operações, negaram ter feito quaisquer transações com a empresa. Na avaliação dos parlamentares da CPI, é um indício de utilização de documentos verdadeiros para fazer "laranjas".
A Happy Way Turismo e Câmbio, de Suzano (SP), segundo o Banco Central, simulou venda de moeda estrangeira a pessoas físicas, entre janeiro e agosto de 1998, além de ter "falseado" os valores de dólares adquiridos. A empresa apresentou ainda assinaturas falsas em documentos oficiais. A empresa pertencia a Oto Kendy Yoshita e a César Augusto Silveira Rodrigues.
A Ibirapuera Turismo, que funcionava no Shopping Ibirapuera, fez operações de câmbio se utilizando de endereços "aleatórios" e "falsas assinaturas" nos boletos de câmbio. Segundo a CPI do Narcotráfico, a empresa pertencia à Kanazawa do Brasil Participações, Momentum Empreendimentos Imobiliários, Ingo Schroer e Milton Maccache.
A Bird Turismo, que funcionava na Rua Amaro Guerra, prestou "falsa informação" ao Banco Central, utilizando nome e CPF indevidos em boletos de câmbio, e foi envolvida em crime de evasão de divisas. A empresa pertencia a Cristiane Calfa Gomes e Mandrison Feliz de Almeida Cerqueira.
A Danric Turismo, de Guaratinguetá, simulou venda de moeda estrangeira, entre 1º de maio e 30 de setembro de 1997, com a utilização de nome de pessoa com CPF no preenchimento de boletos de câmbio, com endereços e valores de dólares "falseados". A empresa pertencia a Antônio José Fonseca Dias da Costa e Palmira Araújo da Costa e Silva.
Também em São Paulo, a Du Mont Câmbio e Turismo prestou ao Banco Central "falsas informações". Foi acusada ainda de evasão de divisas. A empresa pertencia a Silvia Cristina Peterle Fraia, Carla Cristina Peterle Fraia, Joaquim Ribeiro de Almeida e Fábio Ribeiro de Almeida. A Dias e Cleudir Tur, que funcionava na Avenida Ipiranga, foi descredenciada por evasão de divisas e falsa identidade. A empresa pertencia a Sônia Regina Martins Dias e Janaína Martins Dias.
Rio de Janeiro - O Rio também aparece com oito empresas na lista investigada pela CPI. A Alpha Bravo Câmbio e Turismo, que tinha filiais em Foz do Iguaçu (PR) e Belo Horizonte, foi descredenciada no final de 1997 pelo Banco Central por utilizar "laranjas" para comprar dólares. A empresa comprou US$ 2,8 milhões entre abril e agosto de 1997.
Estão ainda sendo investigadas no Rio, por envolvimento em irregularidades, as empresas Bentur Câmbio Viagens e Turismo, Cambi-Sul Agência de Viagens, Casa Behar Passagens, Globe Trotter Turismo, Escobar Turismo, Fair Tour Viagens e Flex Hotéis Turismo.
Estados - No Paraná, são 11 empresas investigadas, a maioria em Foz do Iguaçu e Curitiba. Segundo parlamentares da CPI do Narcotráfico, a proximidade com o Paraguai estimula a lavagem de dinheiro do tráfico de drogas e do contrabando de armas.
Estão sendo investigadas no Paraná as empresas AG Câmbio e Turismo, Agência de Turismo Ortega, Ane Viagens e Turismo, Araponga Turismo e Câmbio, Câmbio e Turismo Latino, Cash Agência de Viagens e Turismo, Coan Câmbio e Turismo, Dick Câmbio e Turismo, Corporation Câmbio e Turismo, Exchange Tur Serviços e Holidays Tur.
Em Fortaleza, a Acctur Câmbio e Turismo comprou US$ 17,8 milhões sem identificar a origem. Em Belo Horizonte, a CPI investiga a empresa Almeida e Couy. Em Porto Alegre (RS) estão sendo investigadas as empresas Becker Turismo e Finantur Brasil, por envolvimento em irregularidades. Em Brasília, estão sendo investigadas a Buriti Turismo e a Habib Câmbio e Turismo.

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