CPI fará devassa nas contas de Beto Zini
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sexta-feira, 19 de novembro de 1999
por Clayton Levy 
Campinas, 19 (AE) - A CPI do Narcotráfico fará uma devassa nas contas fiscais, bancárias e telefônicas do empresário e ex-presidente do Guarani Futebol Clube, Luiz Roberto Zini. Segundo o presidente da Comissão, deputado Magno Malta (PPB-ES), o objetivo é verificar se o ex-cartola tem alguma ligação com o empresário William Sozza, apontado como um dos chefes do crime organizado no País. Na madrugada de hoje, Zini resistiu bem à pancadaria verbal dos parlamentares, mas terá de voltar a Brasília no dia 2 de dezembro para novo depoimento.
"Não conheço, nunca vi e nem mantive qualquer ligação pessoal ou comercial com esse tal de Sozza", repetiu Zini várias vezes para os deputados. O ex-cartola negou que sua construtora, Construbel, tenha funcionado como sede do PRTB, que até 1996 teve Sozza como presidente local. Segundo ele, as suspeitas sobre sua ligação com o empresário não passam de um mal entendido. No final, suspirou aliviado ao saber que não seria indiciado.
Zini explicou que em outubro desse ano, seu contador, José Luiz Trevisan, assumiu a presidência do PRTB, que estava desativado desde a saída de Sozza, há três anos. Como o partido não possui sede própria na cidade, Trevisan forneceu o endereço da construtora Construbel, de propriedade de Zini, onde trabalha até hoje. "Ele só fez isso porque a direção do partido precisava de um endereço para correspondência", disse o ex-cartola. "Não sou filiado a nenhum partido e nunca me envolvi em política", garantiu.
O ex-presidente do Guarani também se saiu bem na acareação com os ladrões de carga Jorge Méres e Gilmar Siqueira Leite, que trabalhavam para a organização criminosa. Leite caiu em contradição em relação ao seu depoimento do dia anterior, quando afirmou que Zini teria uma empresa na Paraíba. "Não me lembro de ter falado isso", despistou o ladrão. "Disse sim e está gravado", rebateu Zini.
Leite insistiu, afirmando que em 1995 esteve dentro da casa de Zini para negociar a receptação de uma carga de cimento roubada. "Em nome de Jesus, você é um pecador", reagiu Zini, que é evangélico.
"Ontem (Quarta-feira) você disse que esteve do lado de fora da minha casa, mas agora diz que esteve lá dentro", rebateu o ex-cartola. "Sou um homem público e todos sabem onde fica minha casa", completou.
Meres contou que "há algum tempo atrás", teria entregue na construtora de Zini um carregamento de ferro com notas frias. "Isso é uma invenção", reagiu o ex-cartola. "Você (Méres) também disse que eu sou proprietário de uma empresa chamada Pauli e a Junta Comercial prova que isso não é verdade", contra-atacou. Méres não insistiu. O depoimento começou no início da madrugada e terminou por volta das 3h30. "Não vamos indiciá-lo porque não somos irresponsáveis de nos basear apenas nesse depoimento", disse o relator da CPI, deputado Moroni Torgan (PDT-CE). "Mas vamos checar todas as contas, para saber se está dizendo a verdade", completou.


