Brasília, 24 (AE) - Os deputados da CPI dos Medicamentos esperam que o depoimento da primeira-dama de São Paulo, ex-mulher do prefeito Celso Pitta, Nicéa Camargo, dê subsídios para investigações de concorrências de remédios para a rede pública. Acusado de envolvimento em irregularidades por Nicéa, o secretário municipal de Saúde, Jorge Pagura, deverá explicar aos parlamentares como são feitas as licitações, de quem a prefeitura compra e por quanto. O depoimento será na terça-feira (28).
"Esse PAS (Programa de Assistência à Saúde) criado pelo Paulo Maluf (ex-prefeito) é uma aberração e pode estar propiciando casos de fraude", afirma o deputado Fernando Zuppo (PDT-SP). "Com o depoimento de Nicéa poderemos confirmar suspeitas."
Para o presidente da CPI, deputado Nelson Marchezan (PSDB-RS), as declarações da primeira-dama de São Paulo podem ser úteis para confrontar dados de concorrências feitas por diferentes prefeituras. "Ouvir a primeira-dama poderá ser importante se ela denunciar esquemas que acabam encarecendo o medicamento", afirmou Marchezan.
O deputado quer cruzar as informações dos depoimento de Nicéa e de Pagura com as declarações do secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Ronaldo Gazolla. O secretário disse à comissão que consegue descontos de até 95% nas licitações feitas para os hospitais usando método próprio e garantir o pagamento em dia aos fornecedores.
Dúvidas - "Se for comprovado superfaturamento nas compras feitas pelo município de São Paulo, poderemos verificar se isso não faz parte de um esquema usado em outras prefeituras", afirmou o deputado Carlos Mosconi (PSDB-MG). "Queremos saber de quem a prefeitura de São Paulo compra, como são feitas as licitações e a que preços", disse.
Alguns integrantes da CPI, como o relator Ney Lopes (PFL-RN), temiam que a convocação de Nicéa pudesse parecer uma decisão oportunista por ela estar em evidência desde que passou a denunciar supostas irregularidades do ex-marido, o prefeito Celso Pita (PTN). Além disso, alertou-se para o risco de Nicéa usar a audiência como palco de novos ataques contra Pitta. Mas prevaleceu a tese de que a primeira-dama pode ajudar a conhecer eventuais esquemas que indiretamente limitam o acesso de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao remédio . Principalmente depois que ela se disse disposta a acrescentar fatos às denúncias já feitas.

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