Brasília, 06 (AE) - Mais um oficial da Força Aérea Brasileira (FAB) está envolvido no tráfico de drogas em aviões militares. Hoje, durante o depoimento da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara dos Deputados, o ministro da Aeronáutica, brigadeiro Walter Bauer confirmou que o major Luiz Antônio da Silva Greff, chefe do Esquadrão de Abastecimento e Manutenção da Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro, deverá ser indiciado no Inquérito Policial Militar (IPM) por haver provas de ligações entre ele e o coronel Washington Oliveira da Silva, suspeito de ser o principal responsável pelos 32,9 quilos de cocaína que estavam em um avião da FAB que iria para Las Palmas, nas Ilhas Canárias.
Segundo o ministro, existe a possibilidade de, após o encerramento do IPM, que acontecerá neste domingo, outros militares, tanto da ativa quanto da reserva, serem indiciados por envolvimento com o narcotráfico. "O inquérito pode chegar a outras pessoas de dentro da Aeronáutica", afirmou Bauer. "Isso foi uma lição para nós, por isso, vamos tomar medidas rigorosas para evitar novos acontecimentos", acrescentou o ministro, ressaltando que irá modificar os procedimentos de embarque de malas por aviões da FAB que viajam para o exterior.
A Aeronáutica chegou ao nome do major Greff depois que a Polícia Federal realizou uma escuta telefônica na casa do coronel Washington Oliveira. Nas conversas entre o oficial e outras pessoas, Greff foi citado algumas vezes. Além disso, segundo o ministro Walter Brauer, o major foi visto várias vezes próximo e entrando no avião pouco antes da decolagem da aereonave para Recife, onde fez uma escala técnica e de onde prosseguiria para Las Palmas. Ao pousar, o Hércules, um avião cargueiro, foi revistado pela PF e soldados da Polícia da Aeronáutica (PA) que encontraram a cocaina em duas malas.
Na próxima semana, a CPI do narcotráfico vai convocar para depor o major-brigadeiro José Maria Custódio de Mendonça, chefe do Estado-Maior e subcomandante do 7º Comando Aéreo Regional (Comar), sediado em Manaus, e onde servia o tenente-coronel Paulo Sérgio Pereira, principal acusado de ter embarcado as duas malas de cocaína. Custódio de Mendonça foi o responsável pela transferência de Pereira para Manaus.
O tenente-coronel chegou a chefiar, por 30 dias, o setor que controla o tráfego aéreo na região, por onde passam clandestinamente dezenas de aviões procedentes do Peru e Bolívia e com destino à Colômbia. "Entregaram uma churrascaria para um esfomeado", ironizou o presidente da CPI, deputado Magno Malta (PTB-ES). "Vamos convocar o brigadeiro Custódio para ver como era a atuação do coronel Pereira em Manaus", acrescenta Malta. O brigadeiro Custódio de Mendonça era amigo pessoal de Pereira, a quem fez o favor de levá-lo para a Amazônia, onde poderia ganhar uma promoção por merecimento.
Segundo o ministro da Aeronáutica, há possibilidade de a quadrilha ter enviado dois ou três carregamento de cocaina para Las Palmas. Entretanto, segundo Bauer, existe também a alternativa de terem enviado outros produtos para testar o esquema de segurança da FAB. "Como viram que deu certo, enviaram a cocaina", afirmou o ministro.

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