Brasília, 19 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara vai entregar amanhã (20) ao sub-procurador dos direitos do cidadão, Wagner Gonçalves, pedido de prisão temporária de 28 suspeitos de ligação com o tráfico internacional de drogas no Acre, que pertencem ao grupo supostamente chefiado pelo deputado Hildebrando Pascoal (sem partido-AC). A CPI pretende pedir a prisão de Pascoal, após a possível cassação do deputado no plenário da Câmara, quarta-feira (22).
A lista de pedidos de prisão foi feita com base nos cerca de 30 depoimentos que a CPI fez no Acre, no início deste mês, e outros colhidos pelos parlamentares em Brasília. Estão na lista o irmão de Hildebrando Pascoal, o tenente Pedro Pascoal Duarte Pinheiro Neto, e os primos deles, os policiais civis Pedro Bandeira Paulino e Paulo Bandeira Bezerra.
Segundo a deputada Laura Carneiro (PFL-RJ), o Ministério Público (MP) em Brasília deverá remeter o pedido ao MP do Acre, que pedirá à Justiça Federal as prisões. O relatório pede ainda o aprofundamento das investigações sobre 32 suspeitos de pertencer ao grupo de Hildebrando Pascoal. A CPI decidiu incluir na lista somente suspeitos que foram mencionadas em mais de cinco depoimentos.
Na terça-feira (21), os parlamentares da CPI irão entregar o documento ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), com o objetivo de municiar ainda mais a cassação de Hildebrando Pascoal, na quarta-feira. Ainda esta semana, um grupo de parlamentares do Acre vai pedir a Temer que não dê posse ao primeiro-suplente de Hildebrando Pascoal, o vereador José Alekssandro, indicado em sete crimes. Segundo Laura, cada um dos envolvidos poderá ser condenado a até 30 anos de prisão, com base na Lei de Crimes Hediondos.
Um dos depoimentos mais reveladores sobre o grupo de extermínio e do tráfico de drogas no Acre foi feito pela testemunha de codinome "Ezequiel", que está tendo o nome mantido em sigilo pela Justiça. O rapaz afirmou à Polícia Federal (PF) e aos parlamentares que ajudou Hildebrando Pascoal a matar pelo menos 60 pessoas.
Ezequiel teria presenciado Hildebrando Pascoal matando Agilson Firmino, o "Baiano", que teve os braços e as pernas cortados com motosserra. Antes de atirar em "Baiano", Hildebrando Pascoal teria dito que o mecânico deveria "ser judiado".
Ezequiel revelou ainda que Hildebrando Pascoal mandou matar José Hugo, que teria matado o irmão dele, Itamar Pascoal. Hildebrando Pascoal determinou que os assassinos lhe entregassem a cabeça de Hugo no Acre.
Ezequiel revelou que o deputado federal sem partido do Acre contratou 12 pistoleiros para matar algumas pessoas em Brasília, se for cassado pela Câmara. Dois pistoleiros chegaram à capital, segundo a testemunha. Na lista, estaria no procurador da República no Distrito Federal, Luiz Francisco Fernandes de Souza, atualmente assessorando a CPI.
A CPI tem provas testemunhais mostrando que Hildebrando Pascoal continou traficando drogas no Acre mesmo depois de eleito deputado federal.
Segundo testemunhas, Hildebrando Pascoal manda drogas da Bolívia para São Paulo, Rio e Brasília. O delegado da Polícia Interestadual (Polinter) Ademar Frota Gonçalves deu os nomes de 80 pessoas que, segundo ele, fazem parte da organização criminosa liderada pelo deputado federal sem partido, até mesmo de empresário e políticos do Acre. Segundo o delegado, Hildebrando Pascoal controlava a distribuição de drogas em sete bairros do Acre. Laura disse hoje que o Ministério da Justiça não tinha cumprido a promessa de incluir algumas pessoas que prestaram depoimento no Programa de Proteção a Testemunhas.

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