CPI encerra investigação no ES
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quinta-feira, 09 de dezembro de 1999
Por Murilo Fiuza de Melo 
Vitória, 09 (AE) - No último dia de investigações na capital capixaba, a CPI do Narcotráfico ouviu o empresário Adalton Martinelli, acusado de ser um dos mandantes do assassinato do assassinato do prefeito de Serra (Grande Vitória), José Maria Feu Rosa, morto em junho de 1990, do qual era vice, e de liderar um grupo de empresários especializado em desviar verbas de prefeituras capixabas.
Os deputados tomaram também o depoimento do traficante Antônio Carlos Martins, o Toninho Mamão, integrante da quadrilha do holandês Ronald Van Coojwijk, preso em março de 1995, quando tentava embarcar 660 quilos de cocaína no Porto de Capuaba, em Vitória, para a Bélgica. A droga estava escondida em um carregamento de pimenta do reino e cravo.
A CPI tentou ouvir ainda o prefeito de Cariacica, Dejair Cabo Camata, mas ele não compareceu. Na quarta-feira, Jéus Vaz, vice de Cabo Camata, o acusou de ser o mandante de seu atentado, em setembro de 1997 Mamão negou que tivesse participado de uma reunião, em 1982, com o hoje senador Gerson Camata (PFL) para que abdicasse de sua candidatura ao governo do Estado em favor de Camata. A denúncia havia sido feita por Vaz. Segundo a CPI, Mamão antes de se tornar traficante era uma pessoa de grande influência no Estado. Quando foi preso, cumpriu pena no Batalhão da PM de Nova Venécia (norte do Estado), onde circulava livremente e coordenava os soldados no plantio de pimenta e côco.
O comandante do batalhão na época, coronel Robson Maia, que também depôs na CPI, confirmou as regalias. "Não aconteceu só com ele; quem entra no quartel da PM para cumprir pena é mesmo para se proteger das grades, porque as benesses começam assim que ele passa pelo portão", afirmou.


