CPI dos Medicamentos vai apurar denúncias de corrupção em São Paulo17/Mar, 20:42 Por Fausto Macedo São Paulo, 17 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Medicamentos, do Congresso, vai instalar seus trabalhos em São Paulo para investigar as denúncias de corrupção na Secretaria de Saúde, na administração Celso Pitta (PTN). A decisão foi anunciada hoje à tarde, depois de uma reunião entre sete deputados da CPI e os promotores e procuradores de Justiça que investigam supostas irregularidades no governo Pitta. Os parlamentares receberam do procurador-geral em exercício, José Roberto Durand, cópia do depoimento da ex-mulher do prefeito, Nicéa Pitta, que aponta detalhes sobre um esquema de corrupção que teria sido montado na pasta dirigida pelo médico Jorge Pagura. Na terça-feira, a CPI vai acertar o roteiro de trabalho. O deputado Ney Lopes (PFL-RN), relator da comissão, informou que serão convocados para depor, inicialmente, a própria Nicéa, o secretário municipal de Saúde e o diretor do Hospital de Campo Limpo, Antonio Vicente de La Magna. O prefeito também deverá ser chamado. O Ministério Público Estadual vai fornecer à comissão cópias de sete inquéritos civis instaurados pela Promotoria de Justiça da Cidadania para investigar suspeita de superfaturamento e licitações dirigidas envolvendo diretores do PAS. Quebra do sigilo - A CPI poderá quebrar o sigilo fiscal, telefônico e bancário de pessoas físicas e jurídicas citadas. Essa medida será avaliada depois da tomada dos depoimentos. O deputado Arlindo Chináglia (PT-SP) disse que tem sido insistentemente procurado por pessoas que afirmam haver corrupção no PAS. As denúncias a Chináglia - que foi presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo entre 1984 e 1990 - apontam detalhes de um esquema montado nos módulos do PAS. O deputado disse que prefere aguardar provas para poder ampliar suas investigações. Segundo Nicéa, "pessoas ligadas à Secretaria controlam os disquetes com os preços de remédios e mandam para empresas cobrirem os valores". Nicéa afirmou que há cerca de dois anos foi procurada pelo médico Vicente de La Magna. "Ele disse que tinha uma série de irregularidades para denunciar, relativas ao secretário Pagura", declarou a primeira-dama. Ainda de acordo com Nicéa, não foi aberta nenhuma apuração sobre o caso. Ela sustenta, também, que Pagura teria solicitado colaboração em dinheiro de todos os módulos do PAS para financiar a campanha do ex-prefeito Paulo Maluf (1993-96) nas eleições de 1998 para o governo do Estado. O diretor do Hospital de Campo Limpo, vinculado ao PAS da região, teria se recusado a trabalhar na arrecadação de recursos. Para Chináglia - autor do requerimento de convocação da primeira-dama -, a denúncia de Nicéa não pode ser desqualificada porque ela não apresentou provas materiais. O petista observou, porém: "O fato de Nicéa ser mulher do Pitta à época dos fatos, em certa medida pode compromete-la." Ele disse que "se Nicéa sabia antes e não denunciou pode demonstrar um grau de cumplicidade". Cartel - O deputado avalia que a apuração poderá alcançar diretores e gerentes de laboratórios, além de fornecedores da Prefeitura. Ele trabalha com a suspeita de que haveria um cartel agindo em São Paulo, mantendo um elo da indústria farmacêutica com o PAS. Para Chináglia, a quebra de sigilo deve ser estendida aos fornecedores da Prefeitura. O deputado Robson Tuma (PFL-SP) afirmou que "São Paulo é um dos grandes centros de distribuição de remédios roubados e falsificados". Para ele, "se há acerto de propina, esse valor é embutido nos preços de produtos fornecidos para a administração". Os deputados da CPI dos Medicamentos pretendiam visitar hoje à tarde a primeira-dama. Segundo o relator Ney Lopes, o plano foi alterado "para não constranger a denunciante".

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