Brasília, 07 (AE) - Integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Medicamentos querem acelerar e aprofundar as investigações sobre preços de remédios e possíveis abusos no setor. "Temos que deflagrar um processo mais contundente de investigação", disse hoje o deputado Luiz Bittencourt (PMDB-GO). Amanhã (08), em reunião interna, os parlamentares vão discutir critérios para a quebra de sigilo fiscal.
O deputado Geraldo Magela (PT-DF) não quer que a reunião fique restrita à análise e eventual quebra de sigilo de pessoas envolvidas na diligência feita em Uberlândia (MG), que culminou no fechamento e apreensão de remédios em laboratório clandestino. "Queremos aprovar, nesta reunião, a quebra de sigilo dos grandes laboratórios", afirmou Magela.
Uma das sugestões de Magela é a quebra do sigilo dos maiores laboratórios dos 21 que teriam reunido seus gerentes para discutir um suposto boicote a remédios genéricos (similares aos medicamentos de marca, mas com preços inferiores). Chega de fazer convites; agora temos é que convocar pessoas e colher depoimentos, sob juramento, e conhecer planilhas de preços das indústrias", afirmou o deputado petista.
Insumos - "A CPI está meio chapa-branca", acredita Bittencourt, referindo-se ao fato de a maioria dos convidados a prestar informações pertencer ao governo. Segundo ele, a comissão deve buscar agora mais detalhes sobre a importação de insumos para fabricação de remédios no Brasil. A CPI suspeita de que essas importações possam esconder superfaturamento.
O deputado Geraldo Magela quer ouvir novamente o presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Gonçalo Vecina, para que ele fale sobre a denúncia da exixtência de remédios inócuos no mercado, classificados, no jargão das farmácias, como B.O - bons para otários.
Depoimento - Na quarta-feira, a comissão vai ouvir a secretária de Saúde do Estado do Rio Grande do Sul, Maria Luiza Jaeger, e os secretários municipais de Alegrete (RS), Décio Peres, e de São Leopoldo (RS), João Deodato Lunardi. Na quinta-feira, a audiência pública vai ser com o presidente da Sociedade Brasileira de Vigilância de Medicamentos (Sobravime), Rubem Bonfim.

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