CPI dos Medicamentos pode decretar quebra do sigilo de envolvidos em denúncias de Nicéa
CPI dos Medicamentos pode decretar quebra do sigilo de envolvidos em denúncias de Nicéa16/Mar, 19:29 Por Fausto Macedo São Paulo, 16 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Medicamentos poderá decretar a quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico dos envolvidos em supostas irregularidades na Secretaria Municipal de Saúde. A informação foi dada pelo relator da comissão, deputado Nei Lopes (PFL-RN), que amanhã (17) vai se reunir com o procurador-geral de Justiça em exercício, José Roberto Durand. "Vou conhecer os elementos indiciários da denúncia de transações ilícitas na compra de remédios na administração do prefeito Celso Pitta", disse o deputado. No depoimento que prestou ao Ministério Público Estadual a ex-mulher de Pitta, Nicéa, sustentou que a Secretaria da Saúde adquiria material hospitalar a valores superfaturados em operações com laboratórios e fornecedores. Segundo a primeira-dama, o esquema de corrupção teria como um dos envolvidos um cunhado do secretário Jorge Pagura. O secretário rebateu a acusação de Nicéa, alegando que os negócios são realizados por cooperativas. Lopes disse que vai em busca das "implicações e dos elementos mínimos" para, na terça-feira, decidir pela convocação de Pitta, Nicéa e do secretário Jorge Pagura. Hoje, o plenário da Câmara, em Brasília, aprovou a prorrogação dos trabalhos da CPI por mais 60 dias. "Vamos convocar todos os que forem necessários para o aprofundamento das investigações, porque pagamento de comissão em compra de remédio é uma coisa muito séria", observou. "Minha proposta é de uma investigação profunda sobre essa acusação de ilicitude na compra de remédio pela Prefeitura". Para o deputado, "esse pode ser um exemplo de punição rigorosa para que não se repitam atos dessa natureza". Sobre o envolvimento de Pitta, o relator disse que "os indícios são muito veementes de que há muita lama na Prefeitura de São Paulo". Ele ressaltou que, "em termos indiciários existe muita convicção nesse sentido". Depoimento - No encontro de amanhã, o deputado vai obter cópia do relato apresentado por Nicéa ao grupo de promotores e procuradores de Justiça encarregados de apurar o escândalo na administração municipal. O parlamentar pretende solicitar outros documentos que possam reforçar a proposta de convocação do prefeito para depor perante a CPI. "Quero saber quais são os indícios e se há mesmo alguma coisa consistente no depoimento de dona Nicéa", declarou Lopes. "Não podemos trabalhar com especulações, só buscando holofotes". A CPI dos Medicamentos, presidida pelo deputado Nélson Marchesan (PSDB-RS), tem 18 integrantes e prazo de trabalho até maio. O relator pretende avaliar com os outros parlamentares a convocação de Nicéa, Pitta e Pagura. "Com certeza iremos convocar, quebrar sigilo e fazer o que for necessário para apurar esse fato", adiantou Lopes. O relator disse que "esses fatos têm repercussões eleitorais" mas negou que o PFL estaria decidido a lançar a candidatura do senador Romeu Tuma para a Prefeitura em razão do escândalo. "O PFL, o PSDB e o PT têm candidatos mesmo antes das denúncias", anotou.





