Brasília, 27 (AE) - A CPI dos Medicamentos já tem "fortes indícios" de que a finalidade da reunião de representantes dos laboratórios farmacêuticos, no dia 27 de julho do ano passado em São Paulo, com a participação de 21 representantes, era boicotar a Lei dos Genéricos. Esses indícios
segundo o relator da comissão, Ney Lopes (PFL-RN), ficaram evidentes, com os depoimentos dos ex-funcionários de umas das empresas, Ney Pauletto Júnior e de Nilson Ribeiro da Silva, supostamente organizadores de uma reunião em que foram acertadas represálias contra distribuidores que se dispussem vender genéricos. Cartelização - Segundo membros da CPI, além de confirmarem o boicote aos genéricos, os ex-funcionários levaram à comissão evidências de que a reunião seria a prova de cartelização do setor. A Polícia Federal (PF) também constatou a existência de duas atas da reunião, uma feita por Pauletto e outra por Ribeiro. Na terça-feira, a CPI votará requerimento de Robson Tuma (PFL-SP) propondo acareação entre Pauletto e Silva e a convocação dos dirigentes de laboratórios.
Nilson Ribeiro negou a autoria da ata da reunião dos laboratórios em São Paulo onde decidiu-se o boicote aos genéricos, mas sua versão foi contestada por Paulleto. De acordo com Ribeiro, o encontro não teria como finalidade impor restrições à Lei dos Genéricos, mas sim impedir "propaganda enganosa" sobre genéricos, veiculada nos meios de comunicação por alguns laboratórios. Além disso, Ribeiro garantiu não haver pauta pré-estabelecida para a reunião.
Mas um e-mail de convocação enviado aos laboratórios por sua secretária, Natalina Natale, contesta suas afirmações. Além da convocação, feita em caráter confidencial, Natale explicita que entre os temas a serem abordados estavam a distribuição, varejo, planos de saúde, infromações de receituários, força de venda e genéricos. Cartelização - Para Robson Tuma, ficou claro nos depoimentos de hoje, que a reunião dos representantes dos laboratórios teve a finalidade de montar planos de cartelização e boicote aos genéricos. Segundo Tuma, esse fato confirma-se no momento em que os participantes confessam o medo de revelar a verdade sobre o que ocorreu naquela reunião dos laboratórios. "Por conta disso, a acereação é fundamental para sabermos quem está mentindo". Sigilo - A CPI deve votar na terça-feira pedido dos deputados Robson Tuma (PFL-SP), Carlos Mosconi (PSDB-MG) e Luiz Bittencourt (PMDB-GO) pedindo a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico de cinco pessoas e duas empresas de Uberlândia (MG), onde foram localizados, na semana passada, dois laboratórios que produziam remédios falsificados. De acordo com os membros da CPI que estiveram no município, os laboratórios vendiam remédios falsos - entre eles antibióticos, cremes e analgésicos - para mais de 500 farmácias do País. Os laboratórios possuíam até selos de qualidade para os produtos falsificados.

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