CPI dos Bancos tenta ouvir Chico Lopes sobre depósito no exterior
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sábado, 14 de agosto de 1999
Por Rosa Costa 
Brasília, 15 (AE) - O senadores da CPI do Bancos tentarão na terça-feira, pela terceira vez, ouvir o ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes sobre a informação de que ele teria depositado no exterior US$ 1,67 milhão. A informação consta de um bilhete assinado pelo ex-sócio na empresa de consultoria Macrométrica, Sérgio Bragança, encontrado na casa de Lopes por procuradores do Ministério Público.
Para o senador Eduardo Siqueira Campos (PFL-TO), Chico Lopes não deveria perder a oportunidade de melhorar a sua imagem. Campos lembrou que sugeriu a ele que prestasse informações sobre o bilhete quando o acompanhou no dia em que o presidente da comissão, senador Bello Parga (PFL-MA), deu-lhe voz de prisão. "Eu disse que ele tinha uma imagem de respeito e uma história pessoal a preservar, mas ele não respondeu nada", afirmou. "Espero que tenha mudado de idéia.
O senador tem em mãos os dados fiscais e bancários do ex-presidente do BC, obtidos antes dele obter a liminar do Supremo Tribunal Federal (STF), mas que não pretende usá-los enquanto não for julgado o mérito da decisão. O depoimento está marcado para as 17 horas. Na quinta e sexta-feiras, vão depor na CPI os ex-presidentes e presidentes de bancos beneficiados pelo Programa de Reestruturação do Sistema Financeiro (Proer). Serão ouvidos os representantes do Econômico e do Excel e do Nacional e Unibanco, além do presidente do Bilbao Vizcaya. Também irão depor sobre o Proer, ainda sem data marcada, os ex-presidentes do BC Gustavo Loyola e Gustavo Franco. O terceiro depoimento do secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, está marcado para o dia 27 deste mês.
Juiz da Encol - A CPI do Judiciário terá na quarta-feira um de seus últimos depoimentos, o do ex-titular da Vara de Falência e Concordatas de Goiância Avenir Passos de Oliveira. Ele é acusado pelos advogados do dono da Encol, Pedro Paulo de Souza, de ter sido subornado com uma boiada avaliada em R$ 1 milhão em troca da aceitação da concordata da empresa. O fato teria justificado a transferência do julgamento do processo de Brasília para Goiânia, considerado suspeita desde o início.
No depoimento que prestaram à CPI ficou comprovado que tampouco os advogados da Encol - Sérgio Mello Vieira da Paixão, Paulo Viana e Neiron Cruvinel -agiram dentro da lei. Viana revelou que chegou a "inchar" o processo com papeladas desnecessárias para adiar a decisão sobre a concordata, enquanto Avenir estava de férias. Eles acusaram o juiz de ter enriquecido ilicitamente na Vara de Falências.
Sérgio Paixão contou que dispararam cinco tiros contra ele, depois que acusou Avenir. Já o juiz, por sua vez,pediu para deixar o caso, alegando correr risco de vida. Trata-se, enfim, de um caso que não tem "mocinho", mas sobram vítimas. Para o presidente da CPI, senador Ramez Tebet (PMDB-MS), a única coisa certa nessa denúncia é que existem 42 mil famílias prejudicadas pela Encol, com pouquíssimas chances de reaver suas economias.


