Washington, 16 (AE) - A ebulição que a CPI dos bancos está provocando nos meios políticos em Brasília e na imprensa brasileira ainda não chegou aos mercados de capitais nem reduziu a disposição francamente positiva criada entre credores e investidores externos pelas as boas notícias dos últimos dias sobre inflação, as contas externas e o câmbio. "O quadro mais favorável do que se havia projetado aponta para a possibilidade de ganhos em bolsa e em renda fixa e reforça o interesse dos investidores na volta do Brasil ao mercado", disse o economista Paulo Leme, o principal analista do banco de investimentos Goldman Sachs para a América Latina.
A expectativa de uma emissão de bônus pelo Banco Central nos próximos dias, que marcará a volta do setor público brasileiro ao mercado pela primeira vez depois da crise que precipitou a desvalorização do real, tem dominado o notíciário sobre o País e ganhou a primeira página hoje do Financial Times.
Para Leme, a ausência de uma preocupação maior sobre a CPI deve-se "a uma certa confiança de que o Banco Central tem a documentação necessária para provar que agiu com lisura e que a investigação não comprometerá a credibilidade da instituição, sobretudo da atual administração", disse Leme. O Financial Times de hoje informou que o bom desempenho do presidente do BC, Armínio Fraga, no primeiro dia da CPI , afastou o temor do mercado de que o inquérito pudesse diminuir sua autoridade no cargo.
Arturo Porzecanski, economista-chefe do banco de investimentos ING Barings, disse que, a exemplo de seus colegas em Wall Street, não está preocupado com o desfecho da CPI. "Acho que o assunto deve ser investigado e, felizmente, o Brasil têm no momento tempo para fazê-lo, porque as medidas fiscais mais urgentes que estavam pendentes no Congresso já foram aprovadas". Segundo Porzecanski, se a CPI produz alguma ansiedade entre credores e investidores, esta deriva menos das alegadas irregularidades que estão sendo investigadas do que do risco de o inquérito paralizar o Senado e atrasar a tramitação de projetos de lei essenciais para o aprofundamento da ajuste fiscal, tais como a reforma tributária, a lei de responsabilidade fiscal e o que falta ainda a ser aprovado da reforma administrativa. "O que o mercado quer ver é a investigação continuar em paralelo com os a discussão com os outros temas que estão na pauta legislativa", disse o executivo do ING Barings.

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