Brasília, 14 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bancos no Senado deve concluir dentro de 15 dias o relatório parcial sobre a investigação das operações de socorro do Banco Central (BC) aos Bancos Marka e FonteCindam, durante a mudança de política cambial, em meados de janeiro. A previsão foi feita hoje pelo relator da CPI, João Alberto Souza (PMDB-MA).
Na próxima semana, a comissão inicia a segunda fase de investigação, ouvindo o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, sobre sonegação fiscal por parte do sistema financeiro. Segundo Souza, o relatório será encaminhado ao Ministério Público (MP) para embasar as ações que serão movidas na Justiça contra os envolvidos no episódio de venda de dólares a preços subsidiados.
O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), disse hoje que a CPI "agiu bem", ao encerrar essa etapa e decidir pela elaboração de um relatório parcial. Até a decisão de ontem (13) da CPI, o relator sempre se manifestou contrário à elaboração do relatório parcial, com receio de esvaziamento das investigações, mas foi convencido pelos demais integrantes da comissão.
Apesar de considerar positiva a decisão da CPI de pedir o ressarcimento dos prejuízos causados pela venda de dólares por parte do BC ao Marka e ao FonteCindam, ACM acha difícil que isso aconteça. "Somos pessoas que viveram muito; não é fácil que isso aconteça, mas, se ocorrer, teremos de, mais uma vez, dar parabéns ao Senado", afirmou.
ACM voltou a defender uma nova legislação do BC para melhorar a área de fiscalização. "O BC já mudou alguns procedimentos em virtude dos trabalhos da CPI", acrescentou o presidente do Senado. Ele previu que as investigações da CPI deverão ser concluídas no prazo determinado pelo plenário do Senado, de 120 dias. Além do secretário da Receita Federal, a CPI quer convocar ainda para prestar depoimentos os dirigentes dos bancos que tiveram os maiores ganhos com a desvalorização do real.
O presidente interino da CPI, senador José Roberto Arruda (PSDB-DF), encaminhou hoje as notas taquigráficas do depoimento do banqueiro Salvatore Alberto Cacciola, dono do Banco Marka, que reforçam os pedidos da comissão de liquidação extrajudicial da instituição. O pedido foi encaminhado ao BC na noite de ontem.
A CPI acha que as palavras de Cacciola vão servir de suporte para a liquidação do banco. Durante o depoimento, o banqueiro confessou que, se soubesse do massacre" da opinião pública e da imprensa, teria preferido a liquidação do Marka.

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