CPI dos Bancos começa a investigar o caso Encol
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 21 de junho de 1999
Por Vânia Cristino e Arnaldo Galvão 
Brasília, 22 (AE) - A CPI do Sistema Financeiro começou hoje a investigar as razões que levaram a Encol, uma das maiores construtoras do País, à falência, bem como os empréstimos concedidos pelos bancos oficiais, notadamente o Banco do Brasil, quando a construtora já se encontrava em dificuldades financeiras. A Encol teve a falência decretada no início desde ano, depois de ficar um ano em concordata, deixando uma dívida de cerca de R$ 2,5 bilhões e 42 mil mutuários sem receber suas salas, lojas ou apartamentos.
Os empréstimos do Banco do Brasil para a Encol que em dezembro de 1997 somavam R$ 200 milhões, já foram objeto de auditoria interna do próprio banco, do Banco Central e do Ministério da Fazenda. O resultado da auditoria interna do Banco do Brasil, que foi contestado pelo Conselho Fiscal e, por isso, foi objeto de auditoria externa pelo Ministério da Fazenda, apontou diversas irregularidades nas sucessivas renovações das operações de crédito com a empresa.
Entre o que os auditores do Banco do Brasil classificaram de "falhas operacionais" está a renovação de operações sem as devidas garantias, o desvio de finalidade do empréstimo e trocas de garantias. Devido ao descumprimento das normas internas do BB referentes a concessão de empréstimos no caso Encol, 10 funcionários perderam a função gratificada e outros 10 foram advertidos, por escrito, pela diretoria do banco. Um dos funcionários que perderam a função gratificada foi o ex-presidente da Previ, Jair Bilachi que foi gerente do banco e depois superintendente do BB no Distrito Federal.
O Conselho Fiscal não gostou do resultado da auditoria, alegando que as operações tiveram o aval da diretoria do banco, especialmente do ex-diretor de Crédito do BB, Édson Ferreira e do atual diretor de Finanças, Carlos Gilberto Caetano. Os dois também serão ouvidos pela CPI. O argumento do Banco do Brasil é que não houve fraude nos empréstimos. O ex-diretor Édson Ferreira tem sustentado que as renovações de operações tiveram como objetivo a recuperação de parte do crédito do banco na empresa o que, segundo ele, foi obtido.
Muito mais delicada que a situação do Banco do Brasil nos empréstimos concedidos à Encol é a do ex-controlador da construtora, Pedro Paulo de Souza, que se entregou à justiça de Goiás na semana passada, depois de ficar cerca de três meses foragido. Na sentença que transformou a concordata da Encol em falência, o juiz Avenir Passo citou várias irregularidades praticadas, inclusive a transferência de ativos da empresa para a EncolPar para pagamento de advogados de Pedro Paulo em detrimento dos demais credores. A transferência foi anulada.
Em Brasília Pedro Paulo responde, na Vara Criminal, pelos crimes de desvio de recursos dos mutuários, distribuição fictícia de dividendos e gestão fraudulenta e temerária da empresa.


