Brasília, 11 (AE) - A boa convivência entre os senadores governistas e oposicionistas que integram a CPI do Sistema Financeiro está ameaçada. O espírito agressivo armado pelos dois lados em relação à convocação do ministro da Fazenda, Pedro Malan, permite prever um debate ríspido entre o bloco de oposição e os aliados do governo na sessão de hoje, marcada para ouvir o depoimento do ex-diretor da área Externa do Banco Central Demósthenes Madureira de Pinho Neto. Essa expectativa não está relacionada propriamente a esse depoimento, pois, na Polícia Federal, Demósthenes não acrescentou informações relevantes ao caso.
O clima de conflito foi estabelecido em razão de outros depoimentos prestados pelos funcionários do BC à Polícia Federal na semana passada, que deram um argumento a mais para a oposição cobrar explicações de Malan à CPI. A chefe da Procuradoria do BC responsável por Assuntos da área Internacional e Dívida Ativa, Fátima Regina Martins, afirmou ter visto Malan por dois ou três minutos na sala onde foi discutido o voto que possibilitou a operação de socorro aos bancos Marka e FonteCindam. Entretanto, nenhum dos depoimentos, nem o dela, afirma que o ministro tenha participado das negociações ou da decisão que permitiu a ajuda.
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) considera impossível o ministro Malan ter estado no Banco Central na manhã do dia 15 de janeiro e não ter sido informado sobre as operações de ajuda aos bancos Marka e FonteCindam, que estavam sendo operacionalizadas na sala ao lado. Por isso, Suplicy já anunciou que apresentará um requerimento de convocação do ministro. Se insistir na proposta, estará comprando uma boa briga. A bancada governista dificilmente deixará que Malan sofra o constrangimento de depor na CPI. Entretanto, mesmo que a convocação seja rejeitada, a simples discussão do requerimento poderia ser desgastante para o governo, pois seus aliados correm o risco de passar à opinião pública a impressão de que o ministro tem algo a esconder.
De qualquer forma, os senadores governistas devem insistir em que a palavra de Malan negando ter conhecimento das operações é suficiente para dispensar sua presença na CPI. Eles argumentam que o ministro tinha motivos mais fortes para estar no BC na manhã do dia 15 de janeiro do que a ajuda ao Marka e ao FonteCindam. Afinal, naquele momento, a "banda diagonal endógina" idealizada pelo então presidente em exercício do BC, Francisco Lopes estava desmoronando.

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