Brasília, 29 (AE) - O líder do PMDB no Senado, Jáder Barbalho (PA), apresentou no final da tarde de hoje um requerimento para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito do Sistema Financeiro. Em seu discurso, denunciou irregularidades e lucros exorbitantes obtidos por bancos privados. De imediato, a CPI ganhou o apoio do bloco de oposição no Senado e já tem assegurada mais do que o mínimo de 27 assinaturas necessárias para a instalação da comissão. "Espero que essa seja uma matéria vencida não só pela bancada do meu partido, mas como de todos que assinaram a CPI do Judiciário", disse Jáder.
Barbalho respondeu ao presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), que demonstrou receio ed que os trabalhos dessa comissão possam atrapalhar o andamento da CPI do Judiciário apresentada por ele na quinta-feira. "Não vejo problema em instalar duas CPIs já que somos 81 senadores e as comissões precisarão do envolvimento direto de apenas 22 senadores", argumentou o líder peemedebista na tribuna, lembrando que cada comissão funciona com 11 senadores.
Em seu discurso, Barbalho rebateu insinuações de que o seu requerimento seria uma forma de negociar mais espaço para o PMDB dentro do governo, inclusive com cargos e verbas. "Essa CPI não é contra o governo", discursou o senador paraense. "Afinal, não creio que o governo Fernando Henrique precisa de grupo de banqueiros que frauda diariamente sistema financeiro", completou.
Na Câmara, o deputado Aloizio Mercadante (PT-SP) apresentou um requerimento pedindo uma CPI do Sistema Financeiro, com argumentos semelhantes ao do senador peemedebista. Ele disse que tentará fazer uma CPI mista, com integrantes do Senado e da Câmara. Para isso, Mercadante deverá se encontrar amanhã (30) com Jáder Barbalho. O deputado petista garantiu que já tem mais que 171 assinaturas - o mínimo de apoio necessário na Câmara - para a instalação da CPI. "A gravidade dos fatos requer uma investigação mais ampla que permita esclarecer estas denúncias"
argumentou Mercadante.
Irreversível - Na avaliação dos senadores, com o discurso de Jáder Barbalho é irreversível o processo de instalação das duas CPIs. Amanhã (30), ele deverá ter um encontro com ACM para discutir esse assunto. Com a CPI do Sistema Financeiro, o PMDB acabou ofuscando o PFL e o senador Antonio Carlos, já que está oferecendo um assunto com apelo popular maior do que as irregularidades no Judiciário. Pensando na sucessão de 2002, o PMDB vem defendendo bandeiras com grande repercussão pública, como a reposição das perdas salariais.
Jáder Barbalho recebeu o apoio unânime dos senadores no plenário. "Agora não tem mais volta", disse o senador Ronaldo Cunha Lima (PMDB-PB). "O PMDB tem que ir até o fim, pois caso contrário corre o risco de ficar desmoralizado", completou. Essa mesma opinião foi compartilhada por senadores de partidos aliados. "Do jeito que a coisa vai fica difícil não assinar esta CPI", disse o senador tucano Lúcio Alcântara (CE) com o aval do senador Geraldo Melo (PSDB-RN). "Se o PFL não assinar esse requerimento será muito negativo para o partido", avaliou o senador Eduardo Siqueira Campos (PFL-TO).
O requerimento de Jáder Barbalho foi baseado em notícias divulgadas pela imprensa nos últimos três meses. Ele quer investigar entre outros pontos a responsabilidade do Banco Central na operação de socorro aos bancos FonteCidam e Marka que conseguiram dólares abaixo da cotação durante a mudança do câmbio em janeiro. Pelo requerimento também será investigada a responsabilidade dos bancos que lucraram apenas em um mês duas vezes mais do que o lucro obtido durante todo o ano de 1998.
"Enquanto isso, os correntistas e aplicadores amargaram elevados prejuízos", acusou Jáder. A CPI irá apurar ainda as razões pelas quais instituições financeiras continuam quebrando, mesmo depois da maciça injeção de recursos para sanear os bancos feita pelo governo através do Proer. Outra denúncia que será investigada é a sonegação de impostos que estaria sendo praticada por bancos estrangeiros. "Se tivéssemos instalado essa CPI há três anos, certamente esse fatos não teriam ocorrido", avaliou o senador Roberto Freire (PPS-PE), lembrando que por manobra do governo a CPI do sistema financeiro não teve prosseguimento.

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