CPI do Sistema Financeiro começa trabalhos na 3ª semana de abril
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terça-feira, 30 de março de 1999
Por José Ramos e Rosa Costa 
Brasília, 31 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) requerida pelo presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), para apurar irregularidades no sistema financeiro, deverá ser instalada na terceira semana de abril. A avaliação no Senado, tanto no PMDB quanto no PFL, é de que a CPI se tornou irreversível e tramitará conjuntamente com a requerida pelo presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), para investigar irregularidades no Judiciário.
Inicialmente, Magalhães rejeitava a tramitação conjunta das duas comissões, mas agora, a única exigência dele tem sido a de um intervalo de alguns dias, talvez uma semana, entre a instalação da CPI do Judiciário, que foi requerida primeiro, e a do Sistema Financeiro.
Há ainda senadores que acreditam numa solução criativa que evite a instalação das duas CPIs, que poderia surgir após a Semana Santa.
Do lado do governo, porém, não se espera nenhuma tentativa para tentar brecar as duas comissões. O ministro da Fazenda, Pedro Malan, afirmou hoje que a CPI do Sistema Financeiro poderá ter ou não impacto na economia, dependendo de como forem conduzidos os trabalhos no Congresso.
Diante do quadro atual, em que a instalação está sendo dada como fato consumado entre os principais líderes políticos no Senado, a preocupação passa a ser com a condução das duas comissões.
O objetivo dos líderes governistas é de escolher parlamentares experientes e confiáveis para presidir as comissões. Para a do Judiciário, o nome mais cogitado é o do presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC).
Para a CPI do Sistema Financeiro, ainda não há nome cogitado. O bloco de oposição escolheu os representantes para as duas comissões. Na do Judiciário, a representação será feita pelos senadores José Eduardo Dutra (PT-SE) e Jefferson Peres (PDT-AM) e na do sistema financeiro, será pelos senadores Eduardo Suplicy (PT-SP) e Saturnino Braga (PSB-RJ).
Suplicy garantiu que o bloco só formalizará as indicações com a garantia de que as duas CPIs serão instaladas. Desta forma, fica garantido que a CPI do Judiciário somente ocorrerá se o PFL ou o PSDB, ou os dois partidos, apoiarem a do Sistema Financeiro.
O PMDB e o bloco de oposição, juntos, dominam seis senadores dos 11 de cada CPI (são quatro do PMDB e duas da oposição), enquanto o PFL e o PSDB detém outras cinco vagas (três do PFL e duas do PSDB).
Como as CPIs no Senado só podem ser instaladas com maioria simples, os dois lados necessitam do apoio um do outro para ter os sete senadores que permitam a instalação das comissões.


