Rio, 28 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) que apura irregularidades na campanha eleitoral do PSDB ao governo do Estado vai pedir à Justiça a quebra do sigilo bancário do publicitário Duda Mendonça, dono da agência publicidade A2CM. A empresa foi responsável pela campanha do candidato tucano Luiz Paulo Corrêa da Rocha a governador em 1998 e pela proganda oficial do PSDB. Pelo serviço, a agência de Mendonça recebeu R$ 6,5 milhões. Do total, apenas R$ 300 mil foram declarados na prestação de contas do candidato ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
Os outros R$ 6,2 milhões foram repassados à A2CM por cinco agências de publicidade contratadas por licitação para fazer a propaganda do governo. Segundo apuração da CPI, o então secretário estadual de Fazenda, Marco Aurélio Alencar, "sugeriu" às agências, em reunião no dia 14 de julho de 1997, que assinassem acordo com a A2CM repassando 50% de suas comissões de criação e produção. Há indícios, de acordo com os integrantes da CPI, de que o dinheiro público da propaganda oficial tenha sido desviado para a publicidade de campanha.
De acordo com o edital de licitação, qualquer contrato de tercerização que viesse a ser firmado pelas cinco agências deveriam ser publicados no Diário Oficial, o que não foi feito. Em depoimento à CPI hoje à tarde na CPI, Mendonça negou que tivesse qualquer conhecimento sobre o conteúdo do contrato do governo com as cinco agências. Ele explicou que o contrato de tercerização entre a A2CM e as empresas de publicidade é legal.
"É um acordo operacional de transferência de tecnologia de marketing perfeitamente normal", afirmou. Segundo ele, o mesmo procedimento de subcontratação foi realizado em contratos com os governos da Paraíba e Rio Grande do Norte.
O publicitário negou também que tivesse feito qualquer tipo de pressão para que o acordo fosse assinado. "Fui procurado pelas agências espontaneamente", disse. Mendonça, porém, não soube explicar porque o documento que legalizava o serviço de tercerização entre a A2CM e as outras cinco agências eram idênticos e lhes foram entregues no mesmo dia. "Sou diretor de criação, não cuido dessa parte financeira, mas posso consultar meu diretor financeiro para prestar maiores esclarecimentos", adiantou.
Os deputados ironizaram o valor de R$ 300 mil, cobrado pela A2CM, para fazer a campanha de Rocha. De acordo com Mendonça, o dinheiro foi usado para pagar a criação e a produção de 20 programas de tevê e rádio - o que daria um preço de R$ 15 mil por programa. "É um preço de mãe", brincou a deputada Cidinha Campos (PDT). O presidente da CPI, Carlos Minc (PT), pretende convocar para depor, na próxima semana, o ex-chefe de gabinete de Marco Aurélio Alencar, Deodônio de Macedo Neto, que prestará depoimento em seguida.

mockup