Porto Alegre, 08 (AE) - A CPI do Polo Automotivo, da Assembléia Legislativa/RS, empossou hoje os deputados Otomar Vivian, do PPB, como presidente; Manoel Maria, do PTB, como vice-presidente, e Berfran Rosado, do PMDB, relator. Criada para investigar as razões da desistência da Ford de implantar uma montadora no Estado, a CPI foi articulada por deputados do PMDB, PFL, PPB, PTB e PSDB, partidos que integraram o governo anterior
de Antonio Britto (PMDB) e que possuem maioria no Legislativo.
"Ainda não definimos quem será ouvido", disse o presidente da comissão. Ele não quis citar nomes, limitando-se a assinalar que os deputados, através de requerimentos, é que proporão as convocações. "As partes são o atual governo do Estado e a Ford", respondeu Vivian, negando que, de antemão, já esteja prevista a presença de Britto. A CPI terá duração de 120 dias, prorrogáveis por mais 60. Suas sessões, segundo Vivian, acontecerão duas vezes por semana.
Prevista para Guaíba, na região metropolitana, a montadora da Ford seria instalada em troca de isenções fiscais mais um aporte de R$ 418 milhões oriundos dos cofres estaduais. Parte dos recursos comporia um empréstimo em condições especiais - R$ 210 milhões, sem correção monetária, com juros de 6% anuais e com 15 anos para pagar, sendo cinco de carência - e o restante seria repassado sob a forma de obras públicas e privadas de infraestrutura. No período Britto, R$ 42 milhões já haviam sido entregues à Ford.
Argumentando que não possuia os R$ 418 milhões, o governo gaúcho fez uma contraproposta para a permanência da montadora mas a empresa norte-americana, após seis reuniões com a administração estadual, afastou-se das negociações e anunciou o abandono do projeto. A diferença entre o acordo original firmado por Britto e a nova oferta era de aproximadamente R$ 113 milhões.
O conflito entre a Ford e o Palácio Piratini está na raiz na CPI, facilitada pela ampla maioria dos oposicionistas. São 35 deputados dos partidos que apoiavam Britto contra 20 que respaldam Olívio. A oposição responsabiliza o governo, acusando-o de descumprir o contrato.
Assegura que o Executivo não usou R$ 200 milhões que estariam reservados para a Ford em conta vinculada do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) e entende que a saída da empresa representa um prejuízo para a geração de empregos. Embora a Ford assuma apenas a abertura de 1,5 mil vagas diretas - salário médio de R$ 600,00 - há projeções de entidades empresariais de que os empregos indiretos poderiam ser multiplicados até 100 vezes.
O governo sustenta que o impacto será muito menor e que o setor automobilístico é o 34º em produção de empregos no Brasil, de acordo com levantamento do BNDES. A divisão dos R$ 418 milhões pelo número de empregos diretos propiciados pela montadora da Ford resultaria num preço considerado elevadíssimo, de R$ 278,6 mil por vaga.

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