São Paulo, 19 (AE) - A CPI do Narcotráfico vai ao Maranhão investigar políticos, empresários e fazendeiros supostamente envolvidos com uma rede de lavagem de dinheiro, roubo de cargas e contrabando de entorpecentes.
Onze parlamentares - inclusive o presidente da comissão, Magno Malta (PTB-ES), e o relator, Moroni Torgan (PFL-CE) - desembarcam em São Luís na segunda-feira para uma jornada de pelo menos três dias. A governadora Roseana Sarney (PFL) e o secretário estadual de Justiça, Segurança e Cidadania, Raimundo Cutrim, serão ouvidos. A CPI recebeu informações de que Roseana teria sido ameaçada de morte. O relator acredita que a governadora e o secretário podem fornecer dados importantes sobre a criminalidade no Estado.
O principal foco das atenções da comissão é o deputado estadual José Gerardo (PFL). Apontado como aliado do deputado cassado e coronel da reserva da Polícia Militar Hildebrando Pascoal (Acre), José Gerardo seria um dos líderes do crime organizado no Maranhão e mandante do assassinato do delegado da Polícia Civil Stênio Mendonça.
O policial estava investigando a atuação da quadrilha. Relato de uma testemunha à CPI indica que José Gerardo teria participado de reuniões com Hildebrando em hotéis de São Paulo para tramar a morte do delegado.
Segundo essa testemunha, o deputado federal Augusto Farias (PPB-AL), irmão de PC Farias - assassinado em junho de 1996 - teria ligações com o grupo de Hildebrando e José Gerardo.
Além de Roseana e do secretário de Segurança, vão depor doze pessoas. A identidade dessas pessoas está sendo preservada pela CPI.
A comissão também vai direcionar os trabalhos para uma fazenda de 2 mil hectares, localizada no município de Nova Olinda, por onde passa a BR-316, rumo a Belém (PA). A rodovia é conhecida como rota de ataques a cargas e carretas. As mercadorias desviadas são vendidas em regiões do Norte e do Nordeste. Os caminhões são levados para a Bolívia e trocados por drogas e armas. O deputado Moroni Torgan sustenta que a fazenda pertence à mulher de Rogério Cavalcante Farias, irmão de Augusto Farias.
As denúncias contra José Gerardo foram feitas pelo caminhoneiro Jorge Meres. Segundo ele, o deputado maranhense comanda o esquema de assaltos e tráfico de cocaína. José Gerardo foi ouvido uma vez pela comissão - negou envolvimento em atividades ilícitas e garantiu que se dedica apenas ao setor empresarial. É dono da Viação Juli e de outras firmas.
A CPI quer submeter o parlamentar a uma acareação com o caminhoneiro. José Gerardo não aceita. Na segunda-feira, ele obteve liminar em habeas corpus que o livra de depor como testemunha perante a comissão.
A medida foi concedida pelo ministro Octávio Gallotti, do Supremo Tribunal Federal. O ministro decidiu que a CPI poderá convocar o deputado suspeito na condição de "indiciado, sem estar sujeito a juramento e sendo lícito calar-se quando implique a indagação a possibilidade de auto-incriminação." Augusto Farias também já depôs à CPI e chamou Jorge Meres de "maluco".
Para o deputado alagoano, o caminhoneiro estaria agindo "a mando de alguém." Hoje, a CPI anunciou que a Justiça decretou a prisão de William Sosa, tido como chefe de uma ramificação do grupo na região de Campinas (SP).
Agentes da Polícia Federal foram destacados para localizar Sosa. Segundo Jorge Meres, ele teria "domínio" sobre 40% do efetivo de policiais civis paulistas que atuam entre Campinas e Piracicaba.

mockup