CPI do Narcotráfico suspende novas investigações
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quarta-feira, 12 de janeiro de 2000
Por Hugo Marques 
Brasília, 12 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico decidiu hoje suspender novas investigações e quebras de sigilos bancários, a não ser que apareçam casos muito "relevantes". Em reunião fechada, no Espaço Cultural da Câmara
os parlamentares combinaram finalizar todos os sub-relatórios, com informações por Estado, cruzando as quebras de sigilos bancários, fiscais e telefônicos com as informações dos depoimentos e as declarações de imposto de renda dos suspeitos.
"Só vamos abrir novas investigações se houver fatos muito relevantes", disse o relator da CPI, deputado Moroni Torgan (PFL-CE). Segundo o parlamentar, a CPI dispõe de material farto para análise e pouca gente para cruzar os dados. Amanhã (13), comissões de parlamentares irão visitar órgãos públicos como a Receita Federal e o Banco Central para pedir pressa na entrega e análise de documentos. O deputado Celso Russomano, um dos sub-relatores da CPI, disse que há mais de 500 pacotes de documentos para serem analisados. "Vamos cruzar os dados entre os Estados e depois chamar novamente algumas testemunhas para novos depoimentos", disse ele. "Desta vez com as provas nas mãos." Os sub-relatórios deverão ser finalizados até abril, para a conclusão do relatório final até maio.
Ontem (11), Moroni Torgan e o presidente da CPI, Magno Malta (PTB-ES), se reuniram com o líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira, para troca de idéias sobre os trabalhos da CPI. Inocêncio disse que a CPI deve apresentar "soluções" e fatos concretos em seu relatório final, com providências que podem ser adotadas pelo Ministério Público.
A CPI já quebrou mais de 300 sigilos bancários, telefônicos e fiscais. A avaliação dos parlamentares é de que grande parte dos sigilos bancários não resulte em informações que possam levar aos criminosos. Segundo um parlamentar, muitos criminosos movimentam dinheiro em nome de "laranjas", de difícil rastreamento. A CPI deverá entregar à presidência da Câmara proposta de mudança do regimento interno, pela qual os advogados só se comunicariam com os clientes por escrito, durante as sessões.


