Brasília, 26 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara dos Deputados que investiga ao ação do Narcotráfico vai sugerir ao Congresso a criação de um batalhão antidrogas dentro do Exército. O presidente da CPI, deputado Magno Malta (PPB-ES), disse que o batalhão ajudaria a Polícia Federal em ações emergenciais. As forças armadas resistem à atuação direta no combate ao narcotráfico.
A idéia de criar um batalhão especial para combater o narcotráfico surgiu após visita de vários integrantes da CPI ao Mato Grosso, em junho. Os parlamentares sobrevoraram de helicóptero a fronteira do Brasil com a Bolívia e Paraguai, por onde entra grande parte da droga que passa e é consumida no País. Os deputados ficaram impressionados com a falta de policiamento na fronteira, onde os traficantes constroem estradas clandestinas para transportar as drogas.
Magno Malta pediu um estudo detalhado a três juristas sobre a criação do batalhão antinarcóticos, mas ainda não sabe se é possível criar o batalhão sem alteração constitucional. O deputado afirmou que seria um batalhão de elite."Os soldados terão treinamento de polícia", disse .
Uma das restrições das Forças Armadas à atuação no combate ao narcotráfico é justamente a falta de treinamento específico dos soldados para este tipo de ação. Oficiais de alta patente dizem que não se pode colocar rapazes de 18 anos, sem treinamento, para combater traficantes.
O presidente da CPI do Narcotráfico, no entanto, lembra o papel das Forças Armadas na defesa das fronteiras. "Nosso País não é Kosovo, não tem guerra", diz o deputado, "por isso as forças armadas não podem ficar ociosas enquanto o narcotráfico expande seus negócios". Malta está disposto a discutir as características do novo batalhão antes de enviar seu projeto de lei à Mesa da Câmara. Um projeto de lei assinado por todos os parlamentes de uma CPI que estudou exaustivamente o assunto, acredita o deputado, poderá ser aprovado em regime de urgência.
Sivam - O presidente da CPI pretende encontrar-se com o ministro da Defesa, Élcio álvares, para discutir a possibilidade de tentativa de sabotagem contra o Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam). As suspeitas de Malta se baseiam em um depoimento do traficante Antônio da Motta Graça, o "Curica", obtido há um mês. Segundo Curicia , há algum tempo ele fora convidado para traficar drogas nos aviões da Força Aérea Brasileira (FAB).
Conforme o traficante, a operação seria comandada por norte-americanos, que queriam desmoralizar as Forças Armadas para garantir o gerenciamento do Sivam. Malta disse que não se pode descartar esta possibilidade, já que Curica deu informações detalhadas durante um depoimento reservado.
Curica disse que o traficante John Michael White, envolvido no tráfico da FAB, era agente da agência antinarcóticos dos Estados Unidos (DEA), que depois de preso foi abandonado pelos americanos. Malta avalia que a história passou a fazer sentido, pois White foi deportado pelo governo brasileiro para os Estados Unidos, não foi preso em território americano e ainda conseguiu visto para voltar ao Brasil.

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