Brasília, 03 (AE) - O relator da CPI do Narcotráfico, deputado Moroni Torgan (PFL-CE), disse hoje que o assassinato da prefeita de Mundo Novo (MS), Maria Dorcelina Folador, morta a tiros no último sábado, deve ser investigado pela comissão por causa da suposta ligação do caso com o tráfico de drogas. Segundo ele, a cidade, localizada na fronteira com o Paraguai, está na rota do narcotráfico internacional de drogas. O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, deputado Nilmário Miranda (PT-MG), tem a cópia de um relatório feito pela prefeita na qual autoridades são citadas.
Torgan afirmou que vai analisar a documentação, que não chegou a ser entregue pela prefeita à CPI. Hoje, o deputado Padre Roque (PT-PR), integrante da CPI, encaminhou um ofício ao Ministério da Justiça pedindo que a Polícia Federal passe efetivamente a comandar as investigações do assassinato da prefeita de Mundo Novo, situada no interior do Mato Grosso do Sul.
Segundo o deputado petista, as polícias Civil e Militar em Mato Grosso do Sul não têm condições de comandar uma efetiva investigação.
"Seja por condições materiais ou por atitudes suspeitas, a PM e a PC não podem atuar nas apurações sobre a morte de Dorcelina", declarou Roque. Segundo informações do secretário de Administração de Mundo Novo, Indalécio Vanderlei Franco, concedidas à delegada Sidinéia Tobias, da Campo Grande, Dorcelina havia denunciado, antes de morrer, um dos policiais da cidade, o vereador do PSDB Gildo Amaral. O relator da CPI também iria entrar em contato com o ministro da Justiça, José Carlos Dias, para discutir o assunto.
O delegado Joel de Oliveira Silva foi afastado das investigações da morte pelo governador do Mato Grosso do Sul, José Orcírio dos Santos, o Zeca do PT, pelo fato de ter divulgado que o assassinato da prefeita poderia estar relacionado a um seguro de vida de Dorcelina. "Essa informação não procede, porque a prefeita não fez seguro antes de morrer", declarou Roque.
Reforma - Moroni Torgan disse ainda que a CPI vai investigar as denúncias de que, em Goiás, há um esquema de transferência de traficantes presos de outros Estados para, depois, serem libertados. Ele defendeu a criação, por parte do Ministério da Justiça, de uma equipe integrada por sete autoridades especializadas que ficariam a disposição dos governos estaduais. Ele é contrário à proposta de participação da Polícia Federal em uma faxina nas Polícias Civil e Militar, porque há uma disputa política envolvendo os três comandos, o que atrapalharia a chamada limpeza nas estruturas de Segurança Pública nos Estados. Hoje, o plenário da Câmara aprovou a prorrogação dos trabalhos da CPI até abril do próximo ano.

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