CPI do Narcotráfico proporá batalhão antidrogas no Exército
PUBLICAÇÃO
domingo, 25 de julho de 1999
Por Hugo Marques (especial para a AE) 
Brasília, 26 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara que investiga ao ação do Narcotráfico vai sugerir ao Congresso a criação de um batalhão antidrogas dentro do Exército. O presidente da CPI, deputado Magno Malta (PPB-ES), disse que o batalhão vai ajudar a Polícia Federal em ações emergenciais. As forças armadas têm restrição histórica para atuar diretamente no combate ao narcotráfico.
A idéia de criar um batalhão especial para combater o narcotráfico surgiu a partir da visita que vários parlamentares da CPI do Narcotráfico fizeram ao Mato Grosso, em junho. Na ocasião, os parlamentares sobrevoraram de helicóptero a fronteira do Brasil com a Bolívia e Paraguai, por onde entra grande parte da droga que passa e que é consumida no País. Os parlamentares se mostraram impressionados com a falta de policiamento na fronteira, onde os traficantes constroem estradas clandestinas para escoar drogas.
Magno Malta pediu um estudo detalhado a três juristas sobre a criação do batalhão antinarcóticos. O deputado ainda não sabe se é possível criar o batalhão sem alteração constitucional. Malta afirmou que definiu algumas características do novo batalhão, antes mesmo da finalização do estudo. Será um batalhão de elite, com tropas formadas em ações emergenciais de combate ao narcotráfico. "Os soldados terão treinamento de polícia", disse o deputado.
Uma das restrições que as forças armadas colocam no combate ao narcotráfico é justamente a falta de treinamento específico dos soldados para este tipo de ação. Oficiais de alta patente dizem que não se pode colocar rapazes de 18 anos, sem treinamento, para combater traficantes. Os militares temem ainda a aproximação com este tipo de ação, o que deverá aumentar a vulnerabilidade da força frente ao poder de corrupção dos traficantes.
O presidente da CPI do Narcotráfico, no entanto, disse que as forças armadas têm um papel importante a cumprir no Brasil, defendendo as fronteiras contra o tráfico. "Nosso País não é Kosovo, não tem guerra", diz o deputado, "por isso as forças armadas não podem ficar ociosas enquanto o narcotráfico expande seus negócios".
Magno Malta disse que está disposto a discutir as características do novo batalhão, antes de enviar seu projeto de lei à Mesa da Câmara. Um projeto de lei assinado por todos os parlamentes de uma CPI que estudou exaustivamente o assunto, acredita o deputado, poderá ser aprovado em regime de urgência.
O presidente da CPI pretende se encontrar com o ministro da Defesa, Élcio álvares, para discutir a possibilidade de estar havendo uma tentativa de sabotagem contra o Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam). As suspeitas de Malta se baseiam em um depoimento do traficante Antônio da Motta Graça, o "Curica", obtido há um mês.
Segundo Curicia disse aos deputados, há algum tempo ele fora convidado para traficar drogas nos aviões da Força Aérea Brasileira (FAB).
Conforme o traficante, este tipo de tráfico era operação comandada supostamente por norte-americanos, que queriam desmoralizar as Forças Armadas para garantir garantir o gerenciamento do Sivam.
Malta disse que não se pode descartar esta possibilidade
já que Curica deu informações detalhadas durante um depoimento reservado.
Curica disse que o traficante John Michael White, envolvido no tráfico da FAB, era agente da agência antinarcóticos dos Estados Unidos (DEA), que depois de preso foi abandonado pelos americanos.
Magno Malta disse que a história passou a fazer sentido, pois White foi deportado pelo governo brasileiro para os Estados Unidos, não foi preso em território americano e ainda conseguiu visto para voltar ao Brasil.


