CPI do Narcotráfico prende dois policiais e um empresário
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quinta-feira, 06 de abril de 2000
Por ¶ngela Lacerda 
Recife, 07 (AE) - A CPI do Narcotráfico prendeu hoje o delegado de polícia Eduardo Porto, o comissário de polícia ádson Amaral e o empresário Rinaldo Ferraz, acusados de envolvimento com o crime organizado e o narcotráfico. Apontado como "lavador" de dinheiro do narcotráfico, na compra de títulos de capitalização, o empresário Antonio Barreto Filho, ouvido na madrugada, teve quebra de sigilo bancário, telefônico e fiscal solicitada.
Nos quatro dias de trabalho em Pernambuco, a CPI também pediu a cassação do deputado estadual Eudo Magalhães (PFL) por ter prestado informação falsa à CPI e prendeu o irmão do deputado, Marcontio Araújo, dando cumprimento a um mandado de prisão expedido em 1996 por tráfico de drogas. Além das quatro prisões e um pedido de cassação, a CPI solicitou a quebra de sigilo bancário, telefônico e fiscal de 15 pessoas, incluindo outro irmão do deputado Eudo Magalhães, o ex-deputado estadual Enoelino Magalhães.
Para o deputado federal Robson Tuma, integrante da CPI, as prisões "deverão abalar o esquema do crime organizado em Pernambuco". O relator da CPI, deputado Moroni Torgan (PFL-CE) ressaltou a necessidade da continuidade das investigações através da instalação de uma CPI estadual e da criação de uma comissão especial, pelo governo do Estado, visando ao combate do narcotráfico.
"Ficou tudo à mostra, há um crime organizado agindo no Estado", afirmou Torgan. "No sertão, onde fica o polígono da maconha, estão os operários desse crime, enquanto os capitalistas do narcotráfico moram aqui, na praia". A CPI encerrou os trabalhos às 5h45 e nesta segunda-feira chega a São Paulo.
PRISÓES - Denunciado à CPI por envolvimento no narcotráfico e roubo de carga pesada e carro-forte, o delegado Eduardo Porto, irmão do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Carlos Porto, não conseguiu convencer os deputados da sua inocência no depoimento prestado no início da madrugada. O fato que motivou a sua prisão foi uma viagem feita ao interior da Bahia, em 1998, à frente de uma equipe de sete policiais, supostamente para prender uma quadrilha que havia roubado caminhões em Petrolina, no sertão. O grupo não tinha autorização formal da Secretaria de Segurança Pública nem posse de mandado de prisão, sendo preso pela polícia baiana, que suspeitou da intenção de assalto a carro-forte. Eles foram liberados em seguida e desistido da suposta operação.
O presidente da CPI, deputado Magno Malta (PTB-ES), considerou a operação "ilegal e inexplicável" e o relator Moroni Torgan insinuou que a viagem teve realmente intenção criminosa. "Se eu fosse seu superior o teria mandado para a prisão", disse. Porto defendeu-se afirmando que a operação foi autorizada por telefone, pelo diretor de polícia civil.
O comissário de polícia ádson Amaral trabalha há quatro anos com o delegado Eduardo Porto e participou da viagem à Bahia. Ele é acusado de desmanche de carros e de usar veículos da Secretaria de Segurança Pública para transportar armas e drogas. Um relatório secreto do serviço de inteligência da Polícia Militar de Pernambuco entregue à CPI o chama de "Terror do Sertão". No depoimento, ele disse nada saber sobre tráfico e plantio de maconha, embora tenha trabalhado dois anos na área do polígono.
O empresário Rinaldo Ferraz foi apontado como receptador de maconha e de cargas roubadas e de armar o polígono da maconha. Ele é empresário da noite e dono da casa "Sala de Rebôco", no Recife. Os integrantes da CPI entenderam que a compra de 15 coletes à prova de bala por R$ 18,4 mil, admitida pelo empresário, comprovou a denúncia de promoção do armamento do polígono em troca de droga, que ele venderia no Sul do País.
Ferraz disse que os coletes eram para sua defesa pessoal, já que seu irmão Rildo Ferraz havia sido morto em consequência da rixa entre as famílias Ferraz e Novaes, no município sertanejo de Floresta, que integra o polígono. A CPI não aceitou a explicação. "Quem precisa de 15 coletes para se defender?", indagou Moroni Torgan.
Depois de depor, os três foram convidados a permanecer na Assembléia Legislativa, de onde saíram presos no início da manhã. Eles não quiseram falar sobre a prisão. O empresário Rinaldo Ferraz disse apenas estranhar a atitude da CPI.
O deputado Eudo Magalhães, cujo pedido de cassação já foi encaminhado pela presidência da Assembléia Legislativa à Comissão de Justiça da Casa, não quis dar entrevista. Ele disse estar seguindo orientação do advogado.


