CPI do Narcotráfico investigará denúncia de desembargador baiano
Salvador, 15 (AE) - O desembargador Lourival Ferreira vai ser convidado oficialmente a depor na CPI do Narcotráfico para revelar quais foram os dois colegas e o deputado estadual que pediram a libertação do assaltante de caminhão Vander Dornelles, detido no Presídio Regional de Feira de Santana. Foi o que revelou hoje, o deputado Lino Rossi (PSDB-MS), membro da CPI do Narcotráfico, que esteve em Salvador para recolher material sobre a denúncia de Ferreira. Ele considerou o caso "gravíssimo".
Rossi obteve recortes de jornais de Salvador e a edição do Diário Oficial do Poder Judiciário onde o desembargador Ferreira assina um despacho negando "habeas-corpus" para a libertação do assaltante Dornelles e revelando ter sido pressionado para julgar a matéria favoravelmente. "Tomamos conhecimento do fato e vamos levá-lo à CPI amanhã para protocolarmos um requerimento convidando o desembargador a prestar informações à Comissão", disse, informando que a intenção é saber os nomes dos desembargadores e do deputado estadual que pediram a libertação de Dornelles. "A partir daí, convocaremos os três e mais o assaltante para depor".
Esses serão os primeiros passos para a CPI iniciar uma apuração com objetivo de saber se existe uma conexão baiana com o crime organizado (tráfico de drogas e roubo de cargas) que está sendo apurado pelos deputados nos Estados do Maranhão, Acre
Piauí, Mato Grosso, Rio de Janeiro e São Paulo, envolvendo policiais, juízes e parlamentares.
Na Assembléia Legislativa da Bahia, o deputado estadual Marcelo Nilo (PSDB) também dá entrada amanhã num requerimento para a abertura de CPI visando apurar a denúncia do desembargador Ferreira. "Recebemos essa orientação do deputado Rossi", disse Nilo, informando já ter 16 das 21 assinaturas necessárias para a abertura da CPI. "Faltam os deputados do PFL assinarem", contou.
O presidente do Tribunal de Justiça da Bahia, Jatahy Fonseca, repreendeu o colega Ferreira, no fim de semana, pela denúncia, considerando-a "deselegante". Na visão de Fonseca, Ferreira deveria deixar o caso só no âmbito do TJ e não torná-lo público. Ele também notificou o desembargador a revelar os nomes dos três supostos pressionadores. Não será surpresa se amanhã, o desembargador Ferreira revelar os nomes ao presidente do TJB.





