Belém, 08 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara dos Deputados vai estender os trabalhos para o Amapá, depois que uma viciada denunciou a existência de um esquema de tráfico de drogas envolvendo dois deputados estaduais, um ex-deputado, um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e um vereador.
Mirian Loren Flexa Chagas, que se encontra presa em Macapá, iria depor hoje em Belém, mas a comissão não teve tempo de oficializar a transferência para o Pará.
O pedido para a realização do depoimento de Mirian foi feita pelos deputados federais Benedito Dias (PPB-AP) e Jurandil Juarez (PMDB-AP), depois que o juiz da Vara do Tribunal do Júri do Estado, João Guilherme Lages Mendes, fez a denúncia formal ao Ministério Público Federal (MPF). Todos os nomes foram citados por Mirian em depoimentos à polícia e à imprensa local.
Segundo o requerimento dos dois deputados, as autoridades citadas por Mirian são acusadas de tráfico de drogas
contrabando de armas, uso de dinheiro falso e formação de quadrilha. A vice-presidente da CPI, Elcione Barbalho (PMDB-PA), afirmou que o depoimento de Mirian poderá revelar um novo esquema do narcotráfico no Amapá, até então desconhecido pelos parlamentares da comissão. Elcione acredita que o esquema do Amapá não seja o mesmo de outros Estados, mas há ligações indiretas.
Para a deputada, o narcotráfico não é mais um fato isolado, mas está se regionalizando. "Hoje, nós temos denúncias do Acre, Maranhão, Pará, Alagoas e Campinas (interior de São Paulo), que formam uma rede que se interliga", afirmou Elcione. "Por isso, será importante ouvir o depoimento de Mirian para averiguar se existem outras conexões." Mirian seria convocada hoje para depor em Belém, mas não houve tempo de a CPI oficializar a transferência dela da prisão onde está, em Macapá, para o Pará. Entretanto, segundo Elcione, ela será intimada a depor em Brasília.

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