Brasília, 29 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico aceitou sugestão do secretário Nacional Antidrogas, Walter Maierovitch, e decidiu, hoje, pedir o bloqueio dos bens, que estão sendo inventariados, do mafioso Antonio Salamone, morto há um ano em São Paulo. A comissão também resolveu convocar os ministros da Educação, Paulo Renato Souza, e da Saúde, José Serra, para ouvir explicações sobre programas de prevenção das drogas nas escolas e na área de saúde.
Durante seu depoimento à CPI do Narcotráfico, o secretário Walter Maierovitch afirmou que não queria interferir no trabalho do Legislativo, mas era necessário pedir o bloqueio dos bens em nome de Antonio Salamone, apontado como um dos grandes mafiosos da Cosa Nostra italiana. Para lavar dinheiro em São Paulo, Salamone investiu na construção de imóveis caros, como o edifício Senator, em Higienópolis, próximo ao prédio onde está o apartamento do presidente Fernando Henrique Cardoso.
O secretário Nacional Antidrogas desconfia que Salamone, ao morrer, tenha deixado representante da Cosa Nostra no Brasil. "Um grande chefe mafioso nunca deixa seu império", disse Maierovitch. O secretário disse que o governo da Itália "clama" em favor da perseguição do dinheiro que as máfias despejam no mercado financeiro mundial, inclusive no Brasil. Salamone nasceu na Itália mas se naturalizou brasileiro em 1968, utilizando uma declaração falsa da Justiça italiana, de que não teria processos em seu nome. Combate - Maierovitch fez um relato aos parlamentares sobre todas as atividades que estão sendo desenvolvidas pelo governo para combater o tráfico de drogas. O secretário também falou sobre a iniciativa de sua secretaria em chamar os representantes das agências americanas de combate às drogas (DEA) e de investigação federal (CIA) para cadastrar todos os agentes que trabalham no Brasil. "Queremos cooperação", disse o secretário
"mas não queremos invasão de soberania". Segundo ele, os dois órgãos deverão assinar convênio com o governo nos próximos dias para definir as ações de seus agentes, que eram controlados pela Polícia Federal até a criação da secretaria.
Na avaliação de Maierovitch, o governo tem agido com rapidez para apresentar o resultado da investigação sobre tráfico de cocaína em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB). Afirmou, porém, que não acha "produtivo" a existência de dois inquéritos, um da Polícia Federal e outro do Ministério da Aeronáutica, para investigar o mesmo caso.
A CPI do Narcotráfico vai ouvir dia 4 o diretor da PF, Wantuir Brasil Jacine. No dia seguinte será a vez do tenente-coronel Paulo Sérgio Pereira, preso depois de ter confessado que levou as duas malas com cocaína até o avião da FAB. No dia 6, será ouvido o ministro da Aeronáutica, Walter Werner Brauer. A CPI irá convocar ainda o presidente do Superior Tribunal Militar (STM), Carlos de Almeida Batista. Cárcere - Maierovitch explicou que o governo federal estuda a criação do chamado "cárcere duro", um sistema especial com disciplina rígida e maior isolamento, para prender os narcotraficantes e membros do crime organizado. O secretário prometeu aos parlamentares entregar uma lista com nomes de grandes traficantes.

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