CPI do Narcotráfico convocará delegado que acusou álvares
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terça-feira, 12 de outubro de 1999
Por Gilse Guedes 
Brasília, 13 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara vai convocar o delegado de polícia Francisco Vicente Badenes Júnior, responsável pelas acusações que ligam o ministro da Defesa, Élcio álvares, a grupos de extermínio e tráfico de drogas no Espírito Santo, segundo informou hoje o presidente da CPI, Magno Malta (PTB-ES).
Segundo Badenes Júnior, que pode depor na próxima semana
o ministro seria o chefe da quadrilha envolvida ainda com corrupção e jogo do bicho. Documentos com detalhes das atividades ilegais foram entregues por Badenes Júnior à Assembléia Legislativa do Espírito Santo, que abriu uma CPI para apurar o caso.
Malta também vai requerer fitas e documentos sobre a participação de policiais em tráfico de drogas e assassinatos no Piauí. Malta afirmou, no entanto, que a comissão terá pouco tempo para concluir a análise do material porque a CPI tem de concluir os trabalhos até o dia 10. Malta, que vem tentando convencer a presidência da Câmara a prorrogar o tempo de atuação da comissão, disse que, dificilmente, as denúncias do Piauí serão investigadas pela CPI.
O depoimento de Badenes Júnior deverá ocorrer na mesma semana em que o irmão do deputado Augusto Farias (PPB-AL) José Rogério Cavalcante Farias prestará depoimento. Cavalcante e Augusto Farias, irmãos do empresário Paulo César Farias, o PC Farias, ex-tesoureiro de campanha do então candidato a presidente Fernando Collor de Mello, são acusados de pertencer a uma quadrilha, também integrada pelo ex-deputado Hildebrando Pascoal (sem partido-AC), de roubo de carga e tráfico de drogas com ramificações em vários Estados e na Bolívia.
Amira Lepore, que diz ter sido vidente de PC Farias, irá prestar depoimento à comissão, a fim de dar informações sobre a ligação do ex-tesoureiro, que foi encontrado morto em 1996 em Maceió, com o narcotráfico. Hoje, foi realizada uma acareação entre o empresário William Walder Sozza, que havia sido identificado inicialmente por William Marques, e o traficante e caminhoneiro Jorge Meres.
Sozza negou que tenha participação no grupo integrado pela família Farias e Pascoal e disse que trabalha há 12 anos vendendo produtos para cachorro na empresa Dog Center. O empresário admitiu que conheceu Meres em 1993 e que o contratou em 1997 como motorista para trabalhar na Dog Center. Meres voltou a dizer que o empresário vendia notas fiscais frias para a legalização da carga roubada.


