CPI do Narcotráfico convoca irmão de Augusto Farias
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quarta-feira, 06 de outubro de 1999
Por Gilse Guedes 
Brasília, 07 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara decidiu convocar José Rogério Cavalcante Farias, irmão do deputado Augusto Farias (PPB-AL), para buscar novas informações sobre a suspeita de que a fazenda de propriedade dele, no Maranhão, é um dos pontos da rota do tráfico de drogas. Os integrantes da comissão confirmaram hoje, com o depoimento do deputado estadual José Gerardo (PPB-MA), que o parlamentar maranhense, acusado de pertencer a uma quadrilha de narcotráfico que seria comandada por Augusto Farias e pelo ex-deputado Hildebrando Pascoal (sem partido-AC), tem na fazenda de propriedade dele, localizada na mesma região das terras de Cavalcante Farias, uma pista clandestina para pouso e decolagem de aviões.
Os deputados querem ainda ouvir a vidente do empresário Paulo César Farias, o PC Farias, Amira Lepore, sobre a suspeita de ligação dele com uma organização criminosa do narcotráfico. A CPI pediu cópias do processo que tramita na 12.ª Vara Federal, em Brasília, relativo ao envolvimento de PC, ex-tesoureiro de campanha do ex-presidente Fernando Collor de Mello. Os corpos de PC e da namorada dele, Suzana Marcolino, foram encontrados em 1996, em Maceió.
Gerardo, que é acusado de comandar o assassinato do delegado Stênio Mendonça, em 25 de maio de 1997, teve os sigilos fiscal, bancário e telefônico quebrados pela CPI. Mendonça investigava a atuação da quadrilha no Maranhão. Gerardo disse, em sessão na Assembléia Legislativa do Maranhão, dias antes do assassinato, que o delegado iria "pagar caro" pelas acusações feitas contra ele.
Em depoimento, Gerardo surpreendeu os parlamentar, ao reconhecer que tem uma pista clandestina na fazenda e que não declarou à Receita Federal a compra do avião concretizada há dois anos. A propriedade de Gerardo fica em Santa Inês, cidade próxima a Nova Olinda, onde está localizada a fazenda do irmão de PC Farias. Segundo informações investigadas pela Polícia Federal (PF) e pela comissão, as fazendas ficariam na rota do roubo de cargas, tráfico de drogas e comércio ilegal de armas, na Rodovia BR-316, no Maranhão.
Gerardo, que negou envolvimento com a quadrilha, deixou os integrantes da comissão irritados, quando anunciou a criação de uma CPI na Assembléia Legislativa para investigar a denúncia de atuação da quadrilha no Maranhão, negando, em seguida que tenha conhecimento da existência de tráfico de drogas no Estado. A CPI foi criada na assembléia, mas sem o apoio de Gerardo, segundo o deputado estadual Jomar Fernandes (PT).
A delegação da CPI embarca no dia 17 para o Maranhão, a fim de ouvir mais 12 testemunhas do caso. Eles vão convocar novamente Gerardo, que foi hoje à comissão na qualidade de convidado, como testemunha do caso. Na avaliação do relator da CPI, Moroni Torgan (PFL-CE), o deputado, que recusou-se hoje a fazer juramento, mentiu ao negar o envolvimento com o grupo. Gerardo disse ainda que conhece o caminhoneiro Jorge Meres, que assistiu ao depoimento do deputado por ser o autor da denúncia de ligação de Augusto Farias, Pascoal e Gerardo com o tráfico.


