CPI do Narcotráfico conclui que privatização no Porto de Santos diminuiu fiscalização9/Mar, 19:36 Por José Rodrigues Santos, SP, 09 (AE) - Integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Assembléia Legislativa de São Paulo que se reuniram hoje em Santos (SP) com dirigentes da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) e sindicalistas concluíram que a fiscalização no porto diminuiu com o processo de privatização. "A Polícia Federal (PF) aumentou o número de pessoal da fiscalização, mas o problema é que o trabalho que era feito pela Guarda Portuária, agora, ficou com as empresas de segurança contratadas pelos operadores portuários privados", advertiu o vice-presidente da comissão, Elói Pietá (PT). Atentos à informação, o grupo da CPI decidiu investigar essas empresas de segurança para esclarecer se há vínculos entre elas e policiais da região. "Ninguém falou na ligação delas com o tráfico", adiantou Pietá. "É inegável que o controle de entrada e saída de drogas pelo porto era muito pequeno e, agora, é menor ainda com a diminuição da fiscalização pública em terminais privatizados." Essa dificuldade é admitida pelo presidente da Codesp, Wagner Rossi. "O Porto de Santos tem 13 quilômetros de cais, mas sua extensão é de cerca de 60 quilômetros até as instalações portuárias da Cosipa (Companhia Siderúrgica Paulista), e é difícil dizer que há um controle rigoroso de acesso a essa área toda." Rossi anunciou que a Codesp cedeu área para que a Capitania dos Portos se instale dentro do porto santista. "A Capitania deverá ficar na área do cais e terá alojamento para marinheiros em treinamento", acrescentou. "A presença de militares será mais um fator para a dissuasão dos delinquentes de toda natureza, e isso será muito positivo." A droga que chega ou sai do Porto de Santos é movimentada em contêineres. "Com a privatização, os contêineres só são operados nos terminais privativos, onde a fiscalização é menor", denunciou o presidente do Sindicato dos Consertadores do Estado de São Paulo, José Castanheira. Segundo ele, o porto público opera com carga geral. "Os traficantes usam contêineres e encontram mais facilidades para operar." O deputado Cabo Wilson (PSDB) informou que o Denarc recebeu da polícia francesa um mapa com a rota do tráfico internacional de drogas. "Vamos à França para conhecer mais detalhes dessa rota, que inclui o Porto de Santos como um dos principais pontos de saída de drogas." "Infelizmente, a melhor aplicação hoje é a droga", lamenta o deputado Conte Lopes (PPB). De acordo com ele, o quilo de cocaína é adquirido por US$ 1 mil na Bolívia, chega ao Brasil por US$ 5 mil e é vendido em outros locais por um preço que varia entre US$ 50 mil e US$ 100 mil.

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