CPI do MT divulga lista de envolvidos com tráfico no Estado
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domingo, 14 de novembro de 1999
Por Nelson Francisco (especial para a AE) 
Cuiabá, 14 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico de Mato Grosso divulga na quarta-feira (17) a relação dos policiais, delegados, juízes, desembargadores e empresários que teriam envolvimento com o narcotráfico e o crime organizado no Estado. De janeiro a agosto deste ano foram roubadas em Mato Grosso 5 mil carretas, causando um prejuízo de R$ 380 milhões às seguradoras, segundo o relator da CPI, deputado Amador Tut (PL).
Com a prisão do delegado Siderlei Nascimento e nove policiais civis no o sábado (13), os deputados acreditam que podem desbaratar a quadrilha que atua no Estado com ramificações no Acre, Maranhão, Piauí e Rondônia envolvida no narcotráfico e roubo de carretas. O delegado e os policias foram presos sob acusação de narcotráfico e homicídios.
"O problema em Mato Grosso não é só o narcotráfico, mas sim o crime organizado", afirmou o deputado Amador Tut. Na terça-feira (16), os cinco deputados que fazem parte da CPI vão se reunir com o governador Dante de Oliveira (PSDB), Polícia Federal e o secretário de Segurança Pública, Hilário Mozer, para pedir proteção e estrutura para tomar os primeiros depoimentos. Na próxima semana, os deputados que compõem a CPI homônima da Câmara Federal devem ir a Mato Grosso para acompanhar os trabalhos.
Segundo o deputado TUT, uma das primeiras pessoas a depor na CPI será o traficante boliviano Lutio Salomão, preso em Santa Cruz de La Sierra, envolvido com o narcotráfico em Mato Grosso. Para a polícia brasileira, Lutio havia sido assassinado em agosto deste ano. Ele adiantou em entrevista à TV Globo estar disposto a colaborar com as investigações.
A CPI do Narcotráfico da Câmara dos Deputados quer descobrir quem tentou matar o ex-delegado de Mato Grosso Roberto de Almeida Gil, em novembro de 1997. Na época, Gil era o coordenador de Operações da secretaria de Segurança Pública do Estado e investigava a "máfia" das carretas roubadas em Mato Grosso. Um dos principais pontos das investigações da CPI é justamente essa conexão entre roubo de carretas e tráfico de drogas. Após a acusação do motorista Jorge Meres, em seu depoimento à CPI federal, de que policiais de Mato Grosso recebiam propina para liberar a passagem de carretas para a Bolívia, os deputados acreditam que o crime será solucionado.
As investigações no Estado chegaram até o nome do capitão da Polícia Militar Mário do Carmo Moreira dos Santos, que está em julgamento. As circunstâncias do crime são idênticas à do assassinato do delegado da Polícia Civil do Maranhão, Stênio José Mendonça, também em 1997, no mês de maio. "Ele investigava a mesma coisa que eu estava investigando aqui", disse o delegado Gil. "Particularmente, eu acredito que foi a mesma linha de decisões que determinou os dois atentados."
O ex-delegado Roberto Gil não acredita que as atividades de passagem de carretas para o tráfico de drogas tenham acabado, mesmo com o fim da quadrilha em Mato Grosso. "Isso é como um vírus. Quando se identifica o DNA, ele se transforma". Para ele
a atividade é lucrativa demais. Por isso, sempre tem interessados em participar. Como o quilo da cocaína pode custar até US$ 80 mil na Europa, o tráfico garante lucro mesmo que seja em pequenas quantidades da droga.
Cuiabá é rota obrigatória para o escoamento de carretas roubadas com destino ao Paraguai ou à Bolívia. "Todas as estradas federais no sentido leste-oeste do Brasil afunilam em São Vicente (a 40 km da capital mato-grossense), e passam por Cuiabá", explica o delegado.


