Brasília, 19 (AE) - Os trabalhos da CPI do Judiciário, que deveriam se encerrar no próximo dia 26, serão prorrogados até 5 de outubro. O período de 30 dias úteis é considerado suficiente pelos senadores para aguardar a chegada de documentos solicitados a bancos e a órgão públicos e privados. O presidente da comissão, senador Ramez Tebet, disse que só serão marcados depoimentos considerados indispensáveis. As cerca de três mil denúncias que não foram investigadas serão encaminhadas ao Ministério Público, Polícia Federal e tribunais. Os oitos casos que estão sendo apurados confirmam em grande parte as denúncias recebidas pela CPI.
O desvio de R$169 milhões dos R$223 milhões destinados às obras do fórum trabalhista de São Paulo, que continua inacabado, é uma dos casos de maior gravidade. Não só pelo estrago feito aos cofres públicos, mas pelo esquema armado pelas pessoas que estão envolvidas em variados tipos de crimes, como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e falsificação de documentos. Os senadores estão tendo que juntar variados tipos de informações para checar até onde vai o envolvimento do colega Luiz Estevão (PMDB-DF) nas irregularidades constatadas nas obras. Cinco empresas de sua propriedade receberam cerca de R$17 milhões das constutoras responsáveis pela construção. Vem daí a relutância de seus correligionários em esticar o prazo das investigações. A iniciativa foi rejeitada pelos senadores Maguito Vilela (GO) e Gérson Camata (ES).
A última descoberta da CPI com relação a Luiz Estevão é que ele, por intermédio do Grupo OK, pagou empréstimo de R$500 mil que a construtora Ikal, responsável pela obra, do empresário Fábio Monteiro de Barros Filho, tinha contraído com o Bic Banco, em São Paulo. De acordo com a comissão, a empresa de Estevão, avalista do negócio, pagou a dívida na data do vencimento, no lugar da Ika, antes mesmo de ser acionada judicialmente.

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