CPI do Judiciário pede ajuda à PF para localizar empreiteiros acusados de desvio
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segunda-feira, 21 de junho de 1999
Por Rosa Costa 
Brasília, 22 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário no Senado pediu hoje a ajuda da Polícia Federal (PF) para localizar os empreiteiros Fábio Monteiro de Barros Filho e José Eduardo Ferraz, acusados de desviar R$ 162 28 milhões dos R$ 222,62 milhões repassados às obras do Fórum trabalhista de São Paulo.
Eles foram convocados para depor no dia 29, mas não estão sendo localizados pela CPI. Daí o motivo do requerimento do presidente da comissão, Ramez Tebet (PMDB-MS). Os empreiteiros são ainda acusados de "lavar" parte desse dinheiro e de distribuí-lo nas contas de várias empresas, sendo quatro do senador Luiz Estevão (PMDB-DF), que deverá depor à CPI em dara a ser marcada.
No depoimento realizado hoje à noite, a comissão ouviu o empresário Esdras Augusto de Carvalho. Segundo ele, a promotora Inês Makowski Bicudo, mesmo tendo se afastado do Centro de Orientação do Menor de Jundiaí (Comej) "em 1992 ou 1993", continuou detendo o comando de tudo o que ocorria no local. Carvalho disse que ela recebeu do centro vários cheques, nos valores de R$ 2 mil, R$ 5 mil e R$ 8 mil, a título de "devolução de empréstimos a terceiros" ou de "reembolso para doutora Inês", sem que a destinação do dinheiro fosse explicada.
O empresário explicou que teve acesso a esses dados como encarregado do escritório que elaborava as folhas de pagamento do centro. Ele entregou aos senadores cópias desses cheques, justificando que as fez para contestar na Justiça a alegação da entidade de acordo com a qual não dispunha de verbas para pagar pelos serviços. Carvalho contou aos senadores que foi ameaçado por telefone. "A pessoa disse que eu iria me arrepender de falar à CPI", informou. "Na chamada atendida por meu advogado, afirmaram que eu poderia sofrer um flagrante de drogas no meu escritório."
Inês é suspeita de participar do esquema ilegal de adoção de crianças que teria o juiz Luiz Beethoven Giffoni como um dos integrantes. O Ministério Público (MP) de São Paulo conseguiu removê-la de Jundiaí, no interior de São Paulo, quando começou a investigar a denúncia, e, hoje, ela está na capital. De acordo com o depoente, teriam sido desviados R$ 135,30 mil que a Comej recebeu de uma entidade de apoio às crianças. Carvalho disse que, na carta publicada na Internet pelo centro - oferencendo crianças para adoções no exterior -, era anunciada a existência de 4 mil crianças, embora as que estivesse nessa situação não passassem de 30.


