CPI do Judiciário ouve empreiteiros envolvidos em obra de fórum
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domingo, 20 de junho de 1999
Por Rosa Costa 
Brasília, 21 (AE) - A CPI do Judiciário decidiu convocar para depor, na terça-feira da próxima semana, dois dos acusados de envolvimento no desvio de R$162,28 dos R$222,62 milhões repassados às obras do fórum trabalhista de São Paulo. Irão depor os empreiteiros Fábio Monteiro de Barros Filho e José Eduardo Ferraz, donos da Incal e Ikal. Foram aplicados na obra, que permanece inacabada, apenas R$60,34 milhões. A demora em marcar a data da convocação dos dois deveu-se à necessidade de antes cruzar os dados fornecidos pela quebra dos sigilos fiscal, telefônico e bancários. Eles poderão ser detidos durante o depoimento, se insistirem em negar informações comprovadas pela CPI.
De acordo com a Receita Federal, houve a "lavagem" de boa parte do dinheiro destinado à obra, com a participação da empresa Split e da panamenha International Real State Investiments S.A. O dinheiro que não foi aplicado ilegalmente no exterior foi desviado para várias empresas, entre elas quatro do senador Luiz Estevão (PMDB-DF). O parlamentar deve ser convocado para depor no mesmo dia do depoimento de Barros e Ferraz. Estevão é suspeito de ter participado da construção do fórum. A CPI descobriu que ele recebeu 19 cheques da Incal no valor de R$5,11 milhões.
Ele afirma que se trata do pagamento de "negócios normais" realizados entre suas empresas e as de Fábio Monteiro, mas não informa quais são eles. E é essa uma das perguntas que será feita aos empreiteiros. Os senadores também vão querer saber o nome das pessoas e empresas beneficiadas pelo dinheiro das obras e a ligação entre todas as empresas que tiveram o sigilo fiscal quebrado.


