CPI do Judiciário ouve auditor do BC
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domingo, 06 de junho de 1999
Por Rosa Costa 
Brasília, 07 (AE) - A CPI do Judiciário ouvirá amanhã (08) o auditor Antônio José Heitor, que reforçará as denúncias contra o ex-titular da Vara de àrfãos e Sucessões e atual vice-presidente do Tribunal de Justiça do DF desembargador Asdrúbal Zola Vasquez Cruxen, acusado de ter dilapidado a herança de cerca de US$ 30 milhões do adolescente Luiz Gustavo Nominato, enquanto conduzia o processo de inventário. Heitor foi relator da comissão de inquérito do Banco Central que, em 1992, constatou irregularidades cometidas por Cruxen e pelos administradores nomeados por ele para a principal empresa da herança, o Consório Nacional Itapemirim.
Eles incluíram nas contas do consórcio várias despesas indevidas, como viagem para Buenos Aires e pagamento de hospedagem da então chefe do Ministério Público, Elza Lugon, e na compra de bebidas importadas, como uísques Ballantines, Chivas Regal e de vinho Calamares. Além de mostrar cópias de notas fiscais e recibos comprovando esses gastos. Jose Heitor dirá aos senadores que o próprio Ministério Público do DF constatou o desvio de cerca de US$15 milhões da herança, no inquérito policial conduzido pelo delegado Arnaldo Correa Silva, em 1998. O parecer do MP foi inexplicavelmente arquivado e até agora não surtiu nenhum efeito na tentativa dos advogados do adolescentes de recuperar pelo menos parte do patrimônio perdido.
A expectativa do auditor é que a CPI tente desarquivar esse documento, segundo o qual "houve, inegavelmente, durante o transcorrer do inventário, dilapidação do patrimônio a ser adjudicado ao menor Luiz Gustavo Nominato". De acordo com o parecer do Ministério Público, os bens do menor foram vendidos, mas não existe nenhum documento que comprove o recolhimento legal do dinheiro. Afirma ainda que deve ser feita uma revisão do inventário, para que sejam apurados todos os tipos de fraude praticados durante a sua execução.
Com relação à denúncia sobre o fórum trabalhista de São Paulo, a CPI decidiu recorrer aos Ministério das Comunicações e das Relações Exteriores para identificar os donos dos telefones mais chamados pelo ex-presidente do Tribunal Regional de São Paulo, Nicolau dos Santos Neto, pelas empresas envolvidas no superfaturamento da obra e pelos seus donos, empresários Fábio Monteiro de Barros Filho e Eduardo Corrêa. O cerco da comissão também atingirá as chamadas contas CC-5. O presidente da Comissão, senador Ramez Tebet (PMDB-MS), pediu a seus colegas da CPI dos Bancos a relação de pessoas que utilizam esse tipo de mecanismo para depósitos no exterior. Ele acredita que devem constar nessa lista nomes de pessoas que estão sendo investigadas pela CPI do Judiciário.
Para o Itamaraty a comissão mandou uma lista com cerca de 40 países para onde telefonaram Nicolau e os demais suspeitos no desvio de boa parte dos R$296,9 milhões destinados à construção do fórum trabalhista de São Paulo. O maior número de ligações foi para a Suíça, onde Nicolau manteria boa parte de seus investimentos - de acordo com seu ex-genro, Marco Aurélio Gil de Oliveira - Estados Unidos e Inglaterra.


