CPI do Judiciário fará operação pente-fino durante recesso
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segunda-feira, 05 de julho de 1999
Por Rosa Costa 
Brasília, 06 (AE) - O relator da CPI do Judiciário, senador Paulo Souto (PFL-BA), disse hoje que o recesso parlamentar será positivo para as investigações porque permitirá aprofundar o exame dos documentos recebidos até agora. Segundo ele, será feita uma operação pente-fino em toda o material recebido até agora sobre empresas e pessoas que estão sendo investigadas. "O pente-fino vai indicar se será preciso convocar mais alguém para depor", informou. O cronograma de trabalho até o próximo dia 2, quando recomeçarão os depoimentos, será definido amanhã (07) pelo relator e os técnicos da comissão.
Essa avaliação possibilitará o esboço do relatório final da CPI. O senador Paulo Souto acredita que os dados que estarão em poder da CPI até agosto serão suficientes para apontar os responsáveis pelas sete denúncias que estão sendo apuradas. Ele garantiu que o Ministério Público receberá da comissão um relatório consistente, que não deixará dúvidas sobre a culpa dos envolvidos em irregularidades.
Técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU), da Polícia Federal, Receita Federal e Banco Central ajudam na checagem dos documentos, protegidos por um forte esquema de segurança. O cuidado é para impedir o acesso de estranhos na sala onde são catalogadas as informações obtidas com a quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico. Um dos motivos é evitar que a divulgação dos dados estimule os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) a emitirem liminares contrários aos sigilos quebrados pela CPI.
A CPI também tem o cuidado de impedir a presença de assesores de senadores que não fazem parte da CPI, como Luiz Estevão (PMDB-DF). Ele pediu, mas teve rejeitado o documento para colocar um de seus auxiliares acompanhando a análise dos documentos. Estevão não está na relação dos investigados mas - como lembrou o senador José Eduardo Dutra (PT-SE) - seu nome "atravessou na CPI" ao ter suas empresas como beneficiárias de cheques emitidos pela Incal e Ikal no período da obra superfaturada do fórum trabalhista de São Paulo.
Na reunião com os técnicos, Paulo Souto também acertará detalhes sobre as diligências que serão feitas na Junta Comercial de São Paulo para investigar os contratos feitos pelo grupo Monteiro de Barros, dono das duas construtoras, no período da contrução. Seis empresas do grupo tiveram o sigilo bancário, telefônico e fiscal quebrados, com a aprovação de um requerimento de Dutra. Essa medida e as 10 outras propostas nos requerimentos aprovados pela CPI na última sessão do semestre, como os que convocam para depor os juízes Asdrúbal Vasquez Cruxên, José Maria de Mello Porto e Beethoven Giffoni Ferreira, são essenciais para fechar os trabalhos de investigação.


