Brasília, 26 (AE) - A quebra do sigilo telefônico das empresas contratadas pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo para a construção do fórum trabalhista mostrou à CPI do Judiciário que, entre 1994 e 1998, foram feitas 490 ligações entre empresas dos grupos Monteiro de Barros e OK, do senador Luiz Estevão (PMDB-DF). As investigações também encontraram 48 telefonemas realizados pelo juiz Nicolau dos Santos Neto ao Grupo OK, no mesmo período.
Procurado pela reportagem, Luiz Estevão negou existir amizade entre ele e o juiz, mas admitiu ter recebido três ligações de Nicolau. Segundo o senador, elas ocorreram nos dias 20 de dezembro de 1994, 24 de dezembro de 1997 e 5 de outubro de 1998. "Somente encontrei o juiz quando apresentamos (Consórcio Augusto Velloso/OK) a proposta na licitação para a construção do fórum trabalhista de São Paulo", disse. Sobre dois telefonemas recebidos, ele afirmou que foram por cortesia. Um deles desejando Feliz Natal em 1997 e outro parabenizando pela eleição ao Senado em 1998. Luiz Estevão atribuiu às normais relações comerciais entre empresas do setor imobiliário e da construção civil os quase quinhentos telefonemas registrados entre os grupos Monteiro de Barros e OK, em quatro anos.
Ele informou que está afastado da direção do Grupo OK desde 1994, quando foi eleito deputado distrital. O senador negou qualquer vínculo entre seus negócios e as atividades de contratação e construção do fórum trabalhista de São Paulo, investigadas pelos senadores que integram a CPI do Judiciário. A suspeita é de superfaturamento e desvio de dinheiro público. A obra já consumiu quase R$ 300 milhões e está inacabada.
"O grupo Monteiro de Barros teve negócios com algumas das 17 empresas do grupo OK", disse o senador. Ele deu exemplos desses negócios. Uma empresa obteve empréstimos do Banco OK e uma fazenda no Mato Grosso do Sul foi comprada em sociedade que já foi desfeita.
A construção do novo prédio do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Brasília, também relaciona os empresários Fábio Monteiro de Barros Filho e Luiz Estevão. Segundo informou o senador, essa obra foi contratada junto ao consórcio formado entre a Construtora Moraes Dantas e a Monteiro de Barros. A Moraes Dantas desistiu do negócio e a OAB autorizou que o Grupo OK assumisse o compromisso.
A reportagem apurou que as investigações da Procuradoria da República em São Paulo não encontraram provas do envolvimento do Grupo OK com os vencedores da licitação (Incal Alumínios/Monteiro de Barros Investimentos e Décio Tozzi Arquitetura) para a construção do fórum trabalhista. O consórcio Augusto Velloso/OK ficou em 2.º lugar e apresentou recurso administrativo.

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